A avó de Marcos Vinicius de Carvalho dos Santos, encontrado morto na quarta-feira (19) em um areal no bairro de Itapuã, lamentou a morte do neto de 2 anos e criticou a mãe do garoto, que vai responder à Justiça por negligência.
“Ela foi errado em deixar o menino com esse cara que ela não conhecia”, comentou Emanuela Pereira de Carvalho nesta quinta-feira (20), em entrevista ao CORREIO.
De acordo com a avó, era ela que cuidava da criança antes da mãe, Fabiana Carvalho, 18, deixar o filho com o padrinho.
Abalada, Emanuela revelou que teve uma briga feia com a filha para seguir criando o neto, mas Fabiana não permitiu porque queria cuidar do menino.
Já a mãe de Marcos Vinicius, que esteve no Instituto Médico Legal (IML) na tarde de hoje para identificar o corpo do filho, negou as acusações. Aos prantos, Fabiana disse que a avó queria seguir cuidando da criança por causa de dinheiro.
Segundo a jovem, o padrinho de Marcos, Rafael Pinheiro de Jesus, era vizinho dela. “Eu jamais imaginei que ele podia fazer isso”, lamentou a garçonete. Emocionada, Fabiana disse que só conseguiu reconhecer o pé do menino.
Ainda não há previsão de quando o corpo de Marcos Vinicius será liberado do IML. Como o menino não tinha RG e nunca fez tratamento odontológico, a identificação só será confirmada através de um exame de DNA, já que o corpo de Marcos foi encontrado em estágio de decomposição.
O material foi coletado por médicos, e será comparado à uma amostra fornecida por Fabiana. O resultado do exame poderá sair na próxima semana. De acordo com a assessoria de comunicação do IML, o laudo que determina a causa de morte do menino deve sair em 30 dias.
O padrinho de Marcos será indiciado pela Polícia Civil por homicídio, ocultação de cadáver e por induzir o trabalho policial ao erro. O cabeleireiro, que também trabalha como fotógrafo, foi preso em flagrante na quarta-feira (19) depois de se apresentar à polícia, acompanhado de um advogado.
Foi ele quem mostrou onde estava o corpo do garoto. O rapaz foi encaminhado para o Complexo Penitenciário da Mata Escura no final desta manhã. A mãe de Rafael, que não teve o nome divulgado, também será indiciada por induzir a polícia ao erro.
Ela contou aos policiais que um frentista da região teria visto a criança ser levada por um casal em um carro preto, próximo a feira de Itapuã. Ela também informou que um lojista confirmou toda a história.
A polícia começou a desconfiar da versão do padrinho depois de não encontrar as testemunhas do suposto sequestro. Durante as investigações, um feirante revelou à polícia que o menino nunca esteve na feira e que Rafael já apareceu no local com uma foto no celular e informando sobre o desaparecimento.
“Minha mãe não sabia. Eu não tive ajuda de ninguém e também não contei a nenhum amigo”, acrescentou Rafael. O pai biológico de Marcos Vinicius, que mora em Camaçari, foi ouvido na 12ª Delegacia (Itapuã) e liberado.
Em depoimento, Fabiana disse à polícia que havia deixado o filho com o padrinho há cerca de quatro meses, depois de ter conseguido um emprego como garçonete, no qual trabalhava à noite. Fabiana tinha conhecido Rafael apenas um mês antes de entregar Marcos Vinícius para morar com ele.
Morte da criança
Rafael contou ao CORREIO que se arrependeu de ter escondido o corpo do garoto e simular um desaparecimento.
Ele disse que na noite da quinta-feira (13) fez um mingau com leite de soja – o menino tinha intolerância à lactose – e que minutos depois ele começou a passar mal.
“Quando olhei na garganta estava borbulhando. Ele começou a vomitar e eu tentei apoiar a cabeça. Isso durou uns dez minutos. Daí ele apagou e eu achei que já estava morto”, disse o cabeleireiro.
O padrinho da criança afirmou que ficou com medo de ser responsabilizado pela morte do garoto e resolveu esconder o corpo. Rafael colocou Marcos Vinicius dentro de um cooler e esperou amanhecer.
Por volta das 7h de sexta-feira (14), ele saiu de sua casa, em Nova Brasília de Itapuã, e andou até o areal próximo à Alameda Afrânio Coutinho, atrás do Tchê Caranguejo, e abandonou o corpo.
Segundo a polícia, foi Rafael quem descobriu que o menino tinha problemas de saúde. Além da intolerância alimentar, a criança sofria de diabetes e um cisto no pâncreas. Ele teria uma cirurgia marcada para o final deste mês.
Rafael disse que conheceu Fabiana durante o período que ela morou próximo a sua casa. “O menino não era cuidado lá (com a mãe)”, disse. Apesar de ter sido indiciado por homicídio, a polícia aguarda resultado do exame para saber a real causa da morte da criança. Somente o laudo vai indicar se Rafael vai responder por homicídio culposo ou doloso.
População revoltadaRafael foi hostilizado pela população durante sua saída da 12ª Delegacia (Itapuã) pela manhã. Ele foi conduzido para a sede da Polícia Civil, na Piedade, onde uma multidão também aguardava a chegada do rapaz.
Ao descer do carro para entrar no prédio da Polícia Civil, algumas pessoas tentaram atacar o rapaz, mas foram impedidos pelos policiais que o conduziam. No local, a multidão voltou a chamar o padrinho do garoto de assassino.”Eu sou mãe de quatro filhos e tenho um neto. O que ele fez foi um absurdo. O menino não era meu parente, mas dói do mesmo jeito. Ele tem que pagar pelo que ele fez e queremos justiça”, disse a frentista Josélia Santos, de 44 anos, que se juntou à manifestação. Quando questionado sobre a revolta da população sobre a situação, o acusado qualificou como “justa”.
Os protestos contra o homem se multiplicaram também na internet. Assim que foi divulgado que o corpo do garoto havia sido encontrado e que Rafael confessou tê-lo enterrado, pelo menos 60 pessoas postaram mensagens condenando Rafael em sua página pessoal no Facebook.
?Não posso acredita que vc teve a coragem de matar uma criança nunca iria imaginar isso não queria criar dava para outra pessoa que alguém criaria com muito carrinho senhor e o fim do mundo mesmo o próprio padrinho quem criava quem morava junto porque pra que Fael? (sic)?, escreveu uma mulher.
?Porque você fez isso? Porque se deixou tomar pelo desespero e não pediu ajuda? Tvz ele ainda estivesse vivo (sic)?, postou outra. ?Que mundo é esse? Tou passando mal com essa noticia. Ainda add esse monstro em meu face pra acompanhar o caso desse anjo! Meu Deus eu tou tentando não acreditar. Por que você fez isso? (sic)?, escreveu uma terceira.(Correio)



