O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou que esteja negociando a salvação do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, para que ele não aceite processos de impeachment da presidente Dilma Rousseff. No entanto, deu a entender que não apoia a saída de Cunha do comando da Casa, em entrevista à Rádio Metrópole, na manhã desta sexta-feira, 23.
“Ao invés de afundar ele, eu quero que ele bote em votação as coisas e deixe o processo seguir naturalmente. Não tem acordo porque eu não tenho nem mandato para fazer acordo, e não tenho mandato da presidente Dilma. O que eu tenho é liberdade para conversar com todo mundo. Eu aprendi que o gosto só da política é conversar com a diversidade, de forma respeitosa. É isso que valoriza a democracia e que me permitiu sair com 87% de bom e 3% ruim, que deve ser a sede dos tucanos e do DEM. Eu nunca deixei de conversar com quem quer que fosse. Nunca perguntei que time torcia, que igreja frequenta”, disse ele.
Visivelmente irritado com as insinuações da relação dele com Cunha, o petista afirmou que “eu saio e sou obrigado a ouvir: 'Presidente, e o acordo?' Estou cansado de ilações. Eduardo Cunha tem o direito de defesa que eu quero para mim, para você, para Dilma. Ele tem o direito de se defender. E se for culpado, vai pagar como todo mundo desse país”.
CPMF e Levy
Lula também confirmou o interesse da bancada em aprovar Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e outras medidas “importantes” para a reorganização do orçamento federal, anunciada pela presidente e pelo ministro da Fazenda Joaqui Levy.
Ele também negou que tenha solicitado a saída de Levy, durante reunião com a bancada do PT, no início deste mês. “Não [pedi], seria desleal. Não tenho direito de fazer isso, não sou presidente. Dilma tem o direito de escolher as pessoas mais corretas. Eu disse ao Levy que melhor notícia que Dilma tinha dado era a indicação dele. E ele também não tem controle do Congresso. Se a Dilma quiser ficar com Levy, ela fica; se quiser, ela tira. Vou continuar apoiando, vou continuar torcendo para o governo dar certo. Porque, se não der certo, não é a Dilma não que perde, sou eu, é você, é o povo brasileiro”, afirmou.
Lula está em Salvador desde quinta, 22, quando se reuniu com deputados petistas. Nesta sexta, ele participa de um ato pela educação, no Hotel Fiesta, no Itaigara.
*A Tarde



