Por que as mulheres vivem mais do que os homens&#63

A expectativa de vida das mulheres brasileiras é 7,3 anos maior que a dos homens, segundo os dados das Tábuas Completas de Mortalidade do Brasil de 2013, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em 2013 a expectativa de vida da população feminina chegou a 78,6 anos enquanto a masculina atingiu 71,3 ? a média para ambos os sexos é de 74,9 anos.

Estes números não são privilégio das brasileiras. Por todo o mundo, as mulheres têm expectativa de vida, em média, de três anos a mais do que os homens. De acordo com a BBC, cientistas da Universidade do Alabama afirmaram, em artigo recente na revista Gerontology, que “essa consistente vantagem de sobrevivência das mulheres em comparação aos homens (…) é observada em todos os países, em todos os anos em que há registros confiáveis de nascimentos e óbitos. É provavelmente o padrão repetitivo mais robusto da biologia humana”. Mas por quê?

De acordo com a publicação, os cientistas também querem entender a questão e, recentemente, tem dado passos em direção à resposta desta pergunta. Uma das teorias antigas diz que, como os homens viviam uma vida mais desgastante, o corpo cobrava a conta. Mas se isto fosse verdade, esta diferença teria diminuído, uma vez que homens e mulheres, normalmente, tem o mesmo tipo de trabalho hoje em dia.

Uma das teorias estudadas atualmente busca as respostas na genética. Após observarem que fêmeas de chimpanzés, gorilas, orangotangos e gibões também vivem mais do que os machos de seus grupos, os cientistas começaram a considerar a evolução como uma das resoluções para o enigma. “É claro que fatores sociais e de estilo de vida têm sua influência, mas há algo mais profundamente impregnado na nossa biologia”, afirma Tom Kirkwood, que estuda a fisiologia do envelhecimento na Universidade de Newcastle, na Grã-Bretanha.

Por terem dois cromossomos X, as mulheres mantêm uma cópia de todos os seus genes, que pode entrar em ação se outro “falha”; já os homens não contam com esse “back-up”, por terem cromossomos XY. Isto levaria um número maior de células a funcionar mal ao longo do tempo, colocando os homens sob mais risco de desenvolverem doenças.

Outra hipótese considera o fato de as mulheres terem seus batimentos cardíacos aumentados durante a segunda metade do ciclo menstrual, o que ofereceria benefícios semelhates aos de exercícios moderados. Tamanho também pode ser uma das respostas: pessoas mais altas tem mais células, o que as torna mais sucetíveis a mutações celulares prejudiciais, além do fato de que corpos maiores consomem mais energia e provocam um maior desgaste dos tecidos. Mas, segundo a publicação, a testosterona pode ser a maior responsável. O hormônio, que determina a maioria das características masculinas, pois estudos apontam que eunucos (homens sem testículos) tem tendência a viver mais, bem como os animais cujos testículos são retirados. 

As mulheres não só não tem altos níveis de testosterona, mas contam com altos níveis de estrogênio. Considerado um “elixir da juventude”, o hormônio sexual estrogênio é um antioxidante, o que significa que ele neutraliza substâncias tóxicas que estressam as células. As respostas ainda não são definitivas, mas a esperança é a de que a descoberta possa fazer com que todos vivam mais – e melhor. (Notícias ao Minuto)