Crescimento de usuários de internet chegou a 11,4%, diz IBGE

Pela primeira vez, mais da metade da população brasileira tem acesso à internet. Segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção de internautas no país passou de 49,4%, em 2013, para 54,4%, em 2014. As informações fazem parte da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD). Mais da metade dos internautas, 51,5%, tem idades entre 10 e 29 anos. Mulheres também são maioria, representando 52,2% dos números. O aumento ocorreu apesar da queda na porcentagem de residências com computadores. O percentual saiu de 48,9% em 2013 para 48,5% em 2014.

De acordo com a técnica da coordenação de trabalho e rendimento do IBGE, Flávia Vinhaes, os resultados são reflexo do perfil dos usuários, que utilizam cada vez mais dispositivos móveis. ?O aumento do acesso à internet está relacionado ao advento dos smartphones. Hoje em dia as pessoas não precisam mais de computados para estarem conectadas?, assegura  a técnica do IBGE.

A universitária Caroline Galvão, de 21 anos, não nega que a facilidade de acesso tem tornado a internet um item indispensável. ?A rede já alcançou todo mundo. Tudo que a gente faz está vinculado à internet, seja para estudar, se relacionar com outras pessoas ou até se manter informado?. 

Caroline chega e acessar todos os dias – pelo menos de hora em hora – seu perfil nas redes sociais. ?Costumo acessar também os sites de notícias, mas o Whatsapp eu uso o tempo todo. Também assisto filmes pelo celular no Netflix?, conta ela.  

TecnologiaPara o especialista em redes e professor da Universidade Salvador (Unifacs), Francisco Cousino, a universalização da banda larga, que proporcionou uma velocidade maior na conexão com a internet, e a mobilidade dos dispositivos portáteis são os grandes responsáveis por este crescimento. ?Há alguns anos, ter banda larga em casa era artigo de luxo, hoje já é possível ter internet com um custo acessível, independente da classe social. O barateamento dos computadores pessoais como tablets e notebooks também favoreceram esta expansão?. 

Quanto ao acesso à internet pelos celulares, segundo ele, as tecnologias 3G e 4G favoreceram esta necessidade de estar sempre conectado. ?Sem o 3G e o 4G seria impossível ter internet de qualidade com mobilidade. Com certeza isto também contribuiu muito para a disseminação da internet?, ressalta Cousino. 

O acesso está mais rápido e democrático. ?A geração é mais dinâmica e a comunicação tornou-se instantânea. Além disso, os dispositivos estão mais portáteis, com melhor desempenho e maior potência. Tudo isso acaba contribuindo para a expansão da internet no país?, acrescenta.

NecessidadeO técnico de informática Luan Porto, 26, confessa que a dependência por estar conectado é cada vez maior. ?Se chego a um lugar que tenha wifi, a primeira coisa que peço logo é a senha. Na internet você tem acesso a tudo e as redes sociais também acabam estimulando muito esta necessidade de comunicação?, afirma. O aparelho de celular está conectado à rede durante o dia todo. ?É de manhã, de tarde e de noite. Não fico sem internet um minuto?, admite. 

Outros indicadoresAlém das informações relacionadas à tecnologia, a PNAD também revelou resultados referentes à educação, trabalho e rendimento e outras tendências demográficas. O levantamento mostra que a população de idosos segue aumentando. No ano passado, o número de pessoas com 60 anos ou mais representava 13,7% da população, contra 13% em 2013.

A pesquisa mostrou ainda que a média de anos de estudo da população chegou a 7,7 anos. Em 2013, esse número era de 7,3. O Nordeste apresentou um indicativo desfavorável, registrando a menor média, com 6,6 anos. A região também apresentou a maior taxa de analfabetismo do país que chegou a 16,6%. 

Outro dado que chamou a atenção está relacionado ao desemprego. Todas as regiões apresentaram aumento da desocupação, mas foi a região Sudeste que registrou a maior taxa (15,8%), seguida do Nordeste (5,2%). Já a proporção de empregados (60,5 milhões) caiu de 62,3% para 61,3%, enquanto os trabalhadores por conta própria (21,1 milhões) cresceram de 20,7% para 21,4%.Mulheres recebem 74,5% do rendimento dos homensO rendimento das mulheres ainda continua menor do que o dos homens. Elas recebem, em média, 74,5% do que eles ganham. O índice também compõe a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2014, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano anterior, a proporção chegava a 73,5%.

Em 2014, o Brasil tinha 98,6 milhões de pessoas ocupadas, um aumento de 2,9% em comparação com 2013, enquanto a população em idade ativa evoluiu 1,7% no período. Entre as mulheres, o aumento ficou em 51,2% e, entre os homens, 73,7%. O rendimento médio mensal real, ou seja, descontada a inflação, alcançou R$ 1.987 entre os homens no ano passado, enquanto o das mulheres foi R$ 1.480. Na faixa de 15 anos ou mais de idade, entre a população em geral, o rendimento médio mensal ficou em torno de R$ 1.774, superando em 0,8% a média do rendimento apurado em 2013, que foi R$ 1.760. Já o rendimento médio mensal real domiciliar per capita cresceu 2,4%, subindo de R$ 1.217 para R$ 1.246.

Quanto à forma de inserção no mercado de trabalho, a pesquisa mostra que a participação dos empregados com carteira de trabalho assinada, 60,5 milhões de pessoas, diminuiu um ponto percentual, tendo alcançado 61,3% em 2014. Já os trabalhadores por conta própria evoluíram de uma fatia de 20,7% do pessoal ocupado para 21,4%, totalizando 21,1 milhões de pessoas.

Ainda neste mesmo cenário, o número de pessoas com carteira de trabalho assinada no setor privado em atividade não agrícola, somou 35,1 milhões de pessoas em 2014, aumento de 1% (mais 345 mil trabalhadores). Essa expansão só não ocorreu no Sudeste, que apresentou queda de 1,2%.

Os dados mostraram também que o desemprego cresceu. Eram 7,3 milhões de pessoas desocupadas no ano passado, 9,3% a mais que em 2013. A taxa de desocupação ficou em 6,9% no ano pesquisado, contra 6,5% em 2013. A Região Sudeste registrou o maior índice com  um crescimento de 15,8%.Trabalho infantil cresceu 4,5% no Brasil no último ano, aponta PnadEm 2014, havia 3,331 milhões crianças de 5 a 17 anos trabalhando. É o que aponta a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad). De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a exploração da mão de obra infantil no país cresceu 4,5% no ano passado em relação a 2013. Em 2013, havia 3,188 milhões de crianças e adolescentes na faixa de 5 a 17 anos de idade trabalhando, e o contingente subiu para 3,331 milhões em 2014. Os meninos representam dois terços desse total.

Este foi o primeiro crescimento registrado nesse grupo desde 2005 ? quando 1,6 milhão de crianças desta faixa estavam trabalhando, quase três vezes o registrado em 2014. A maior expansão está na faixa etária das crianças de 5 a 13 anos, onde o trabalho não é permitido por lei – 15,5% para a faixa etária dos 5 aos 9 anos e 8,5%, dos 10 aos 13 anos. 

O aumento do trabalho entre adolescentes de 14 e 15 anos de idade aumentou 5,6%. O crescimento foi menor, 2,7%, entre o contingente na faixa de 16  e 17 anos, em que o trabalho é permitido por lei. Ainda de acordo com o estudo do IBGE, dos 3,3 milhões de pessoas ocupadas no grupo de 5 a 17 anos em todo país, 16,6% estavam em situação de trabalho infantil. Nas regiões Norte e Nordeste, essa taxa subiu para 27,5% e 22,4%, respectivamente.Segundo a gerente da pesquisa, Maria Lucia Vieira, o aumento do trabalho infantil ocorreu porque essa população de 5 a 13 anos passou a ajudar os membros do domicílio. ?É o filho ajudando o pai nas atividades que ele ajudava a fazer. Ajudando a semear a terra, ajudando a descascar o milho?, afirmou.  Em 2013, havia 325 mil pessoas de 5 a 13 anos trabalhando na atividade agrícola, e em 2014 passou a ser 344 mil, um aumento de 5,8%.

Para a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, o aumento do trabalho infantil não significa  uma quebra na tendência de queda, mas de uma mudança de perfil do trabalhador infantil.? Hoje temos um trabalho na agricultura familiar e no trabalho doméstico, onde só tem como chegar com denúncia?, disse.(Correio)