Uma operação deflagrada nesta quinta-feira (17) pretende cumprir 757 mandados de prisão contra integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), no estado do Paraná. Outros em 11 estados do país vão receber as informações coletadas durante a investigação da operação Alexandria, incluindo a Bahia.
Apesar de mais da metade dos investigados já está cumprindo pena em penitenciárias do Paraná, eles receberam um novo mandado de prisão. Até às 15h, 93 suspeitos haviam sido presos e 194 mandados ainda não haviam sido cumpridos. Nas penitenciárias estão 484 dos investigados. Todos os suspeitos irão responder pelo crime de associação criminosa, cuja pena pode chegar a três anos de prisão.
Os investigadores também cumpriram quatro mandados de busca, um deles em um hotel no centro de Curitiba. O local pertence a facção e era usado para lavagem de dinheiro e para hospedar chefes de outros Estados. Contas bancárias também foram bloqueadas. Os nomes dos presos não foram divulgados.
A Secretaria de Segurança Pública do Paraná está monitorando a movimentação dentro das penitenciária, o receio é de que as prisões provoquem rebeliões dentro das unidades.
Início
A operação teve início depois que um casal foi preso, em agoto do ano passado, em Curitiba. Os dois suspeitos integravam a quadrilha do PCC e estavam em posse de de cadernos onde estavam registrados os nomes e as atuações de integrantes da facção. Os papeis estavam em baixo de colchões e contém informações de Bastismo.
Nos cadernos estão os nomes de padrinhos e afiliados, além dos números de telefones de cada um deles. A polícia não explicou como era o ato de filiação ao PCC, mas segundo os papéis apreendidos com o casal, cada integrante paga um valor de R$ 400, por mês, para fazer parte da facção. A mensalidade era apelidada de “Cebola”.
Com as informações, as polícias Militar e Civil traçaram um organograma da facção, pediram o grampeamento de cerca de 200 telefones e interceptaram 30 mil ligações. Nas conversas, identificaram chefes de outros 11 Estados, que realizavam crimes como tráfico de drogas, roubos, tráfico de armas e homicídios.
As informações da investigação serão remetidas aos outros Estados ?além de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Alagoas, Ceará, Goiás, Santa Catarina, Pernambuco e Rio Grande do Norte.
Procurada, a assessoria da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP) ainda não se pronunciou sobre o assunto.
Organograma
Os cadernos apreendidos dão detalhes sobre o modus operandi do PCC. A principal atividade ? e a mais lucrativa ? da facção é o tráfico de drogas. Com o dinheiro, os chefes pagam advogados, dão suporte financeiro a algumas famílias e garantem proteção a quem está dentro ou fora da prisão.
Os chefes são chamados de ?resumos?. Existem resumos locais, regionais, federais e disciplinadores (esses, os responsáveis pela execução de inimigos ou infiéis, de acordo com as investigações).
Quem faz a comunicação entre quem está preso e quem está ?na sintonia? são advogados e familiares. Na operação desta quinta, dois advogados também foram detidos, suspeitos de desvirtuarem suas funções e atuarem, na prática, em favor do grupo, transmitindo recados a líderes e auxiliando na administração.
A Secretaria de Segurança do Paraná admite que vem falhando em impedir a comunicação dos membros nos presídios. O órgão, porém, afirma que está fazendo sua parte com a operação e que, no ano que vem, pretende instalar bloqueadores de sinal de celular nas penitenciárias para dificultar a atividade do PCC.
*Correio



