Pertinho de Salvador, Jaguaripe surpreende pelos atrativos turísticos

Mudar o olhar para o Verão é propor um novo caminho. Deixar de lado os badalados roteiros e ir em busca de uma autenticidade ainda preservada no Recôncavo Baiano. Jaguaripe está logo ali, a apenas 61 km depois de atravessar o ferry-boat, e é um destino que surpreende pelos atrativos. Navegar pelos rios recordando os tempos áureos, descobrir vestígios da história imortalizada no centro, desbravar praias virgens e degustar as delícias típicas da região são os programas propostos. E para facilitar esse desfrute, uma reserva natural serve de hospedagem perfeita para quem quer deixar simplesmente o tempo passar sem pressa.

Princípio de prazer e fim de maré

Uma árvore batiza o lugar. Minguito é um oitizeiro, uma planta frondosa com madeira boa para a construção e típica dessa reserva, que já foi uma olaria durante o período colonial e hoje é um chamariz para quem quer descansar e conhecer a riqueza do Recôncavo.

 

Localizada a 14 km da cidade de Jaguaripe, a Reserva Minguito nasceu como uma casa de férias para a família Coni, nos idos dos anos 90, e hoje abre as portas para receber visitantes de todos os lugares. “Desde a infância, ouvia as histórias de meu pai sobre a região. Do antigo navio a vapor que pegava em Jaguaripe, na década de 20, para estudar em Salvador”, conta o proprietário Vicente Coni. 

Toda essa memória afetiva serviu de motivação para o empresário adquirir uma fazenda às margens do rio da Dona, onde passou bons Verões com a família. Filhos crescidos, hora de dar um destino sustentável aos 130 hectares da propriedade, sendo 26 uma área protegida. “Originalmente havia apenas uma pequena construção. Hoje temos três casas, um restaurante e um bangalô, que serve como espaço para ver TV, além do quiosque-grill”, explica Vicente. Ao todo, são 20 apartamentos com ar condicionado e sem televisão nos quartos. Afinal, a ideia é ter contato com a natureza.

Por falar em contemplação, não deixe de passar bons momentos na longa ponte de madeira que dá acesso ao rio ouvindo sons naturais e a música que vem do mangue através do sistema de som instalado pelo proprietário. A Fonte das Delícias é outro point imperdível. Uma nascente de água potável que deságua no mangue é lugar ideal para se refrescar embaixo de uma árvore frondosa e relaxar.Centro HistóricoNo passeio até Jaguaripe, primeira vila do Recôncavo, vale dar uma atenção especial ao centro histórico.

A cidade fundada devido a uma epidemia de varíola que assolou a Ilha de Itaparica nos idos de 1563 preserva monumentos importantes que contam muito sobre sua história. Uma das edificações que mais chamam atenção é a Casa de Câmara e Cadeia, hoje sede da prefeitura. Também conhecida como Cadeia do Sal, foi fundada em 1697 à beira do rio Jaguaripe. “Uma particularidade que a tornou famosa foi a arquitetura, que permitia, a depender do movimento da maré, que a água penetrasse por baixo da edificação e inundasse quase que por completo sua solitária”, explica o vereador e historiador Péricles da Silva. Segundo ele, os homens que estivessem ali ficavam praticamente submersos, vulneráveis a doenças e ataque de animais. Era uma forma de execução lenta para criminosos de grande periculosidade e presos políticos. Outra construção rica em história é a Casa do Ouvidor, hoje fórum municipal, construída pelos jesuítas no período do Brasil Colônia para catequizar a população indígena. Localizado entre a igreja e a Casa de Câmara e Cadeia, o imóvel fica em uma posição privilegiada que permite observar a movimentação da cidade e do rio. Esse último, peça fundamental para a navegação e o transporte dos alimentos, madeira e material de construção do Recôncavo até Salvador. “Hoje ainda é possível observar uma pequena janela de frente para escadaria da entrada de onde se via quem chegava. Quem não fosse bem-vindo ali, era imediatamente fuzilado a mando dos jesuítas”, conta Péricles.

O historiador também aponta a igreja de Nossa Senhora da Ajuda de Jaguaripe como ponto imperdível do passeio. Construída no século XVII, em estilo rococó, substituiu uma capela do século XVI. “Com o crescimento econômico e político da cidade, foi feita uma igreja que equivalesse a essa importância para a Coroa Portuguesa por sua produção de alimentos e materiais de construção”, ensina.

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