Para a árvore símbolo da cidade, a prefeitura indica o oiti- mirim (licania tomentosa). A justificativa, segundo o projeto, é pela sua importância ecológica, histórica e cultural. O oiti é a plantação que predomina na centenária Avenida Sete de Setembro, principalmente no trecho do sombreado Corredor da Vitória.
Apesar da preferência da prefeitura, o professor Jorge Glauco acredita que o oiti não é uma espécie adequada para o plantio urbano. ?Com sistema radicular (da raiz) extremamente aberto, ela acaba desnivelando as calçadas. Basta ver o Corredor da Vitória. São Paulo tem adotado na paulista os ipês-rosas. A gente precisa de árvores bonitas, com flores?, defende o especialista. Ele lembra que o oiti é também conhecido como morcegueiro, por dar frutos que são atrativos para os morcegos.
Fraga rebate: “A Avenida Sete é um símbolo da cidade e os oitis são simbólicos para as questões botânicas e da Mata Atlântica, bioma do qual ela é nativa. É uma árvore que tem uma copa mais organizada, o que, na prática, reduz a necessidade de poda, além de um tronco resistente às pragas”.
O secretário também justifica a retirada de árvores, feitas pela prefeitura, e diz que o Plano Diretor vai evitar essas ações, no futuro. ?As pessoas criticam a retirada de plantas como fícus e amendoeiras, mas em algum momento vai dar problemas na rede de esgoto ou até mesmo colocando casas em riscos por conta das raízes?, explica ele.
Colocar objeto em árvore é proibido, mas há exceção
Embora a minuta do projeto do Plano de Arborização preveja a proibição de colocação de ?objetos e instalações de qualquer natureza?, o secretário André Fraga garante que isso não se aplica para os ojás ? tecidos brancos que são envoltos nas árvores como parte de reverência das religiões afro-brasileiras à natureza. ?O problema são os objetos que fazem algum tipo de fissura na árvore.
Nossa preocupação é com oferendas que colocam velas ou fogo no caule?, explica Fraga. Essa é uma preocupação também da líder religiosa Makota Valdina, dos terreiros Tanuri Junsara e Nzo Onimboya, no Engenho Velho da Federação. Reconhecida pela sua preocupação com a natureza, Makota cobra conscientização dos terreiros para a preservação da natureza, inclusive evitando o uso de velas e de materiais não biodegradáveis nos rituais. ?Orixá nenhum vai querer viver na sujeira. Nem os donos do mato querem sujeira. É preciso usar a natureza com responsabilidade. O verde é vida e não é só para quem é da religião de matriz afro-brasileira?. (Correio)



