Aliados do ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, confirmaram à Satélite que o petista trabalha intensamente para emplacar um deputado baiano no comando da comissão especial responsável pela análise do pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff na Câmara. Uma fonte próxima a Wagner revela que a tendência do ministro é garantir a presidência da comissão para um nome com quem tenha ligações políticas e que, ao mesmo tempo, seja de um partido fora do núcleo duro do governo no Congresso, com bom trânsito na oposição e na base aliada. ?Internamente, Wagner já começou a testar a aceitação ao deputado Paulo Magalhães (PSD)?, corroborou um parlamentar da bancada da Bahia, para quem Magalhães cabe no perfil desejado. ?Ele foi do DEM, está em uma sigla rachada e se manteve leal ao governo desde o início da crise?, avaliou.
Marcha dos rivais
No flanco da oposição, a estratégia para agenda do impeachment será feita em duas frentes, informou o deputado José Carlos Aleluia (DEM). Junto ao PSDB, PPS, SD e dissidentes da base governista, o democrata defende prioridade máxima na mobilização popular. ?Nosso foco é atrair a rua. O Congresso é sensível à opinião pública e à pressão da sociedade?, destacou.
Freio e acelerador
A segunda meta dos partidos oposicionistas, disse Aleluia, é garantir a manutenção do recesso parlamentar de janeiro. Com isso, evitariam que o desfecho do impeachment se desenrolasse entre as festas de fim de ano e o Carnaval, quando a mobilização de rua tende a ser menor. ?O governo tem pressa. Acha que pode segurar a base até lá, mas os sinais são de desmanche?, afirma.
Fundo de verdade
Não passou de pegadinha no grupo formado por políticos no WhatsApp, mas a foto em que o vereador Carlos Muniz (PTN) aparece segurando a ficha de filiação ao PV, com o deputado verde Marcell Moraes a tiracolo, tirou das entrelinhas um movimento articulado pelo ex-aliado do prefeito ACM Neto (DEM) na Câmara de Salvador. Recentemente, Muniz sinalizou o desejo de reatar os laços políticos com o Palácio Thomé de Souza e trocar de partido. O cálculo é simples: com a proximidade das eleições municipais, aliada à tendência de um passeio de Neto nas urnas e de desidratação dos votos do PTN, o parlamentar quer evitar uma derrota na disputa para renovar o mandato. Só não se sabe se ainda há disposição no outro lado.
Vale a pena ver de novo
Considerado azarão na disputa pela prefeitura de Itabuna, o médico Antônio Mangabeira (PDT) entrou no radar de estrategistas políticos da base governista e da oposição. O estado de alerta faz sentido. No histórico da cidade, é comum a vitória de candidatos que correm por fora do páreo principal. Casos de Geraldo Simões (PT) em 1992, Capitão Azevedo (DEM) em 2008 e Claudevane Leite (PRB), o Vane da Renascer, em 2012. Todos os três largaram nas últimas posições e conseguiram a liderança na reta final de campanha. Como vem conquistando popularidade, Mangabeira é visto como ameaça aos planos de Geraldo Simões e dos deputados Augusto Castro (PSDB) e Davidson Magalhães (PCdoB), os mais fortes na corrida.
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