Desequilíbrio fiscal e falta de investimentos apontam para ano difícil

A crise que fez de 2015 um ano perdido para a economia brasileira pode se intensificar em 2016. Entre analistas já há quem espere recessão mais profunda nos próximos 12 meses. Os motivos para o pessimismo são as dificuldades para lidar com as contas públicas, o quadro político incerto e o mercado de trabalho, que tende a piorar, segundo os especialistas, informou ?O Globo?

Para quem defende a linha desenvolvimentista, mais gastos públicos e incentivo ao consumo, a aposta está na gestão de Nelson Barbosa no Ministério da Fazenda. Ele assumiu o cargo com a missão de aliar o ajuste fiscal à retomada do crescimento.

O Boletim Focus, do Banco Central prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) encolherá 3,7% em 2015. Nas contas da economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, o ano já começa ?no negativo? em 1,8% ? é o chamado carregamento estatístico.

Não significa, no entanto, que esse será o desempenho da economia em 2016. O Focus, que reúne previsões de cerca de 100 analistas do mercado financeiro, indica recessão de 2,81% no ano que vem. Zeina não descarta um número pior que esse e ainda mais intenso que o de 2015, embora não trabalhe com projeções fechadas.

Após rombo fiscal de R$ 118,6 bilhões em 2015, a missão é colocar as contas públicas em ordem. Para isso, é essencial aprovar a CPMF, garantindo no caixa R$ 10,5 bilhões, e a extensão da Desvinculação de Receitas da União (DRU, que permite manejo livre de 20% do Orçamento). O especialista Raul Velloso não acredita ser suficiente e prevê desastre fiscal. Zeina Latif, da XP Investimentos, descarta a entrega do superávit de 0,5% do PIB, mas afirma que 2016 pode servir para o governo dar sinais positivos de comprometimento com o longo prazo.

De acordo com reportagem do ?Globo?, a confiança será uma das chave para a retomada dos investimentos, que há nove trimestres estão em queda, segundo dados do IBGE. Aloísio Campelo, responsável pelas sondagens produzidas na Fundação Getulio Vargas (FGV), afirma que uma recuperação já pode ser observada entre as empresas que trabalham com o setor externo, animadas com o dólar alto ? a moeda acumulou alta de quase 50% frente ao real em 2015. Mas, para que isso ocorra em toda a economia, serão necessárias mais notícias favoráveis, inclusive no campo político.

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