Sistema de Informação de Agravos de Notificação registrou 10.136 acidentes por picadas de escorpiões, no ano passado, em toda a Bahia, segundo dados fornecidos, nesta sexta-feira, 8, pelo Centro Antiveneno da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab).
Na capital baiana, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) identificou, em 2015, a aparição de 790 animais em 43 bairros de Salvador. Por conta das notificações, o número de áreas infectadas pelo animal aumentou de 13 para 18 regiões.
O maior índice de infestação foi registrado no bairro de Boca da Mata, com 45,9% das ocorrências, dividas nas localidades de Vara Verde (24,3%) e no fim de linha (21,6%). Em seguida, vem Pirajá (21,7%), Mangueira/Canabrava (6,9%), Fazenda Grande II e Valéria, ambos com 6,2% dos casos.
Das 26 espécies já catalogadas na capital, apenas três são capazes de provocar acidentes graves, segundo informações da coordenadora do programa de combate ao escorpião do CCZ, a bióloga Ana Virgínia Rocha: Tityus serrulatos (escorpião-amarelo), Tityus stigmurus e Tityus brazilae.
“A depender do grau de imunidade do paciente, assim como a quantidade de veneno inoculado, é possível acontecer acidentes de proporções graves”, ela explica. “Mas, ainda assim, nunca foi registrada uma morte por veneno de escorpião em Salvador”, tranquilizou.
Na localidade de Vara Verde, não é difícil ouvir relatos de moradores que já encontraram os aracnídeos, tanto em casa quanto na rua. O local, um loteamento, é perfeito para a proliferação dos bichos: dentro de uma área verde com pontos desmatados, obras e restos de material de construção.
À noite
Morador local, o pedreiro Moisés dos Santos, 36 anos, diz já ter perdido as contas de quantos escorpiões já matou ao redor da casa onde mora. Os invertebrados, ele conta, costumam aparecer geralmente à noite, enquanto, de dia, ficam abrigados embaixo de telhas, madeiras e blocos.
Ciente dos perigos atribuídos ao bicho, Moisés garante tomar cuidados para que os escorpiões não entrem em casa, como deixar o material de construção afastado do imóvel. “Quando chove, eles vêm se esconder nas casas. São grandes, pretos e chegam ao tamanho de um dedo”, afirma.
A doméstica Andrea Barbosa, 37 anos, lembra que o marido encontrou um escorpião na parede da cozinha há uma semana. “Meu marido ia passando para a cozinha e pensou ser uma barata. Quando se aproximou, viu um escorpião preto e matou”, detalhou a gestante.
A vizinha dela, a manicure Ednalva Almeida, 44 anos, assegura que “todo mundo” já pegou escorpião dentro de suas casas naquela localidade. “O que não falta aqui são casos de pessoas que já encontram escorpiões por aí”, afirma.
A mulher diz já ter avistado os aracnídeos por diversas vezes, inclusive pela rua de chão batido, onde está localizado o loteamento. “É um perigo, porque as crianças ficam brincando pela rua e podem ser picadas a qualquer momento”, finaliza Ednalva.
O desmatamento provocado pela expansão urbana é a principal causa do aparecimento desses invertebrados nas cidades, avalia a coordenadora do programa de combate ao escorpião do CCZ, a bióloga Ana Virgínia Rocha. O órgão recebe uma média de 15 solicitações mensais.
Ela recorda que, há cerca de dez anos, 5 bairros concentravam as notificações referentes aos aracnídeos: Vale das Pedrinhas, Santa Cruz, Nordeste de Amaralina, Nova Brasília de Itapuã e algumas áreas de Brotas. (A Tarde)



