Passeio vira tragédia: Adolescente de 16 anos morre afogada na Praia de Ondina

 

Banho de mar, brincadeira na areia e familiares reunidos. A tarde de terça-feira (10), na Praia de Ondina, tinha tudo para ser uma tarde tranquila. Até uma corrente de retorno do mar transformar o momento de descanso em dor e desespero para a família de Taiane Paula Almeida de Santos, 16 anos, que morreu afogada após ser levada por uma correnteza. Além da jovem, o irmão dela, Ryan Victor, 12, a prima, Laiza Lima, 15, e padrasto, Vitor Souza, também se afogaram, mas conseguiram se salvar. O corpo, que foi alvo de buscas dos bombeiros, foi encontrado entre as pedras da praia, por volta das 7h desta quarta-feira (11). Taiane deixa uma filha de 7 meses.

O passeio na praia, que fica atrás do Ondina Apart, seria uma oportunidade para Taiane, que não saía de casa direito desde o início da pandemia, relaxar um pouco. A prima da jovem relatou que tudo aconteceu muito rápido e que não teve condições de salvar Taiane. “Foi bem rápido. A gente estava na água, tomando banho e a água puxou. Puxou ela, eu, meu primo e o padrasto dela e a gente se afogou. Foi do nada. Quando a gente foi ver, a água já tinha nos arrastado muito e não tinha mais areia no chão”, revelou a estudante, que ficou muito confusa na hora. Segundo ela, até dava para perceber que o mar estava agitado, mas nada que levantasse preocupação. O que de fato causou o afogamento dos quatro foi a corrente de retorno que os deixou sem reação possível.

Correnteza
A corrente de retorno é um fenômeno que acontece por baixo da superfície da maré. Com a corrente, é formado um corredor no mar, onde a água que toca a areia ao desaguar na praia volta para dentro do oceano, dando origem a uma correnteza no sentido contrário às ondas que, por vezes, pode ser muito forte. O fenômeno traz para os banhistas uma sensação de que o mar está puxando para trás, o que dificulta a permanência em um local raso e que não ofereça risco de afogamento.

Laiza contou que até perceberam que tinha uma correnteza no lugar que eles estavam, mas que não levaram a sério pois, até então, estava leve.  “No começo, não achamos que teria perigo e levamos na brincadeira. Só que, quando a água puxou de verdade, não teve mais como voltar porque a gente ficou longe e já estava fundo. Tentamos até nadar pra frente, mas não conseguimos”, lembrou.

Segundo Laiza, depois da correnteza arrastar os quatro, ela não viu mais a prima, que teria ficado bem mais distante da praia. “Os meninos conseguiram pegar a gente e salvar, porque conseguimos ficar mais perto do que Taiane que ficou longe e, por isso, não deu tempo de pegar ela. Ela estava mais pra trás mesmo, bem mais distante. E o mar estava muito agitado, cheio de onda, puxando muito. Ficou difícil para os homens encontrarem”, disse.