O sistema de pagamentos Pix foi citado pelos Estados Unidos como um exemplo de política brasileira que supostamente prejudica empresas americanas. A menção está em documento do Escritório da Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR), que conduz uma investigação comercial contra o Brasil. O relatório foi obtido pela CNN.

“O Brasil também parece se engajar em uma série de práticas desleais com relação aos serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”, afirma o texto oficial do USTR.
O caso mais citado envolve o WhatsApp Pay, sistema da empresa Meta, controladora do Facebook. A plataforma chegou a ser anunciada no Brasil em junho de 2020 como um novo meio de transferências financeiras entre pessoas físicas. O serviço seria viabilizado por cartões emitidos por Mastercard e Visa, também dos Estados Unidos.
Menos de uma semana após o lançamento, o Banco Central e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) determinaram a suspensão da nova modalidade. O BC alegou necessidade de avaliar riscos ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) e garantir seu funcionamento adequado. O Cade, por sua vez, mencionou “potenciais riscos” à concorrência no setor.
Paralelamente, o Banco Central avançava nos testes do Pix, que teve suas regras iniciais publicadas em maio de 2020. Em outubro do mesmo ano, foi iniciado o cadastro de chaves de acesso ao sistema, com lançamento oficial em 16 de novembro de 2020, já disponível em mais de 700 instituições financeiras.
O WhatsApp Pay só recebeu aval para funcionar no Brasil em março de 2021, mas encontrou um mercado já consolidado pelo Pix. O sistema do Banco Central se popularizou entre os brasileiros, enquanto a ferramenta da Meta teve baixa adesão, mesmo após seu relançamento.



