Mesmo com 142 mil voluntários inscritos para doação de medula óssea, BA tem 47 pessoas na espera por transplante

Mesmo com 142 mil voluntários inscritos para doação de medula óssea, o estado da Bahia possui atualmente 47 pessoas na espera por um transplante, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (15) pelo Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), véspera do “Dia Mundial do Doador de Medula Óssea”. O órgão foi criado em 1993 para reunir informações de doadores e receptores.

A médica do Redome, Danielli Oliveira, explica que a falta de compatibilidade entre os doadores cadatrados como voluntários e os receptores, ou mesmo a não realização de atualização cadastral por parte de quem se disponibiliza a doar podem ser fatores determinantes para que os transplantes não sejam realizados. Além disso, segundo ela, a falta de informações sobre o processo de doação pode atrapalhar.

“Quando a pessoa entra para buscar um doador, ela pode achar de forma rápida ou não. Isso vai vai depender da característica genética. Tem pessoas que se cadastram para receber um transplante e conseguem encontrar um doador compatível em um mês e, em outros casos, infelizmente, as pessoas podem ter que ficar anos esperando”, destaca.

Após a retirada de amostras de sangue do doador e do receptor, são realizados testes laboratoriais específicos, os chamados exames de histocompatibilidade, para saber se os indivíduos apresentam semelhanças genéticas. Conforme o Redome, as chances de o paciente encontrar um doador compatível são de 1 em cada 100 mil pessoas, em média. Além disso, o doador ideal (irmão compatível) só está disponível em cerca de 25% das famílias brasileiras – para 75% dos pacientes é necessário identificar um doador alternativo a partir dos registros de doadores voluntários, bancos públicos de sangue de cordão umbilical ou familiares parcialmente compatíveis (haploidênticos).

“Além dessa falta de compatibilidade, uma segunda barreira é a não atualização do cadastro por parte da pessoa que quer doar. O cadastro das pessoas fica ativo até quando ela completa 60 anos, e a pessoa pode mudar de casa, de telefone e esquecer de atualizar os dados no Redome. Então, as vezes a gente consegue encontrar uma pessoa compatível com um paciente à espera de doação, mas não consegue localizá-lo por falta de atualização do cadastro. Hoje, nosso trabalho é no sentido de conscientizar os doadores para que estejam de fato disponíveis quando solicitado e também de informar as pessoas sobre o processo de doação, já que muitas ainda têm dúvidas”, destaca.

A atualização do cadastro é realizado no próprio site do Redome, onde também é feito o cadastro dos doadores voluntários.

Em todo o Brasil, 4.398.317 pessoas estão cadastradas no Redome como doadores voluntários e 850 como pacientes em busca de doador não aparentado. Segundo dados contabilizados pelo órgão, de janeiro a setembro de 2017, 248 transplantes de doadores foram realizados em todo o país. Em todo o ano de 2016, foram 381 transplantes, 82 a mais que o número de procedimentos realizados em 2015.

Neste sábado (16), que é o “Dia Mundial do Doador de Medula Óssea”, a Fundação de Hematologia e Hemoterapia da Bahia (Hemoba) estará com uma unidade móvel no Farol da Barra, um dos principais pontos turísticos da cidade, para cadastrar possíveis doadores de medula óssea e desenvolver ações educativas de conscientização sobre a importância de manter o cadastro atualizado no site do Redome. A unidade ficará disponível no local das 8h às 14h.

O “Dia Mundial do Doador de Medula Óssea”, comemorado no terceiro sábado de setembro de cada ano, foi criado em 2015 pela World Marrow Donor Association (WMDA), associação mundial que reúne os registros de doadores de medula óssea, totalizando cerca de 30 milhões de doadores em todo o mundo.

Transplante

O transplante de medula óssea é uma modalidade de tratamento indicada para doenças relacionadas com a fabricação de células do sangue e com deficiências no sistema imunológico. Os principais beneficiados com o transplante são pacientes com leucemias originárias das células da medula óssea, linfomas, doenças originadas do sistema imune em geral, dos gânglios e do baço, e anemias graves (adquiridas ou congênitas). Outras doenças, não tão frequentes, também podem ser tratadas com transplante de medula, como as mielodisplasias, doenças do metabolismo, doenças autoimunes e vários tipos de tumores.

O transplante de medula óssea pode beneficiar o tratamento de cerca de 80 doenças em diferentes estágios e faixas etárias.

Para aumentar a probabilidade de êxito na localização de doadores compatíveis, é fundamental manter os dados cadastrais atualizados no Redome. O voluntário pode ser chamado para efetuar a doação com até 60 anos de idade. O procedimento leva em torno de 90 minutos, e a medula óssea do doador se recompõe em apenas 15 dias.

Na Bahia, o voluntário pode realizar o cadastro de medula óssea em qualquer unidade da Fundação Hemoba. Atualmente, a Hemoba possui 25 unidades de coleta fixas, que estão distribuídas em todo o estado, além de 4 unidades móveis de coleta (Hemóveis). Para saber o endereço e horário de funcionamento das unidades, basta acessar o site da Hemoba.

Em Salvador, o cadastro pode ser realizado no hemocentro coordenador (Ladeira do HGE), Sac Cajazeiras, Hospital do Subúrbio, Hospital Santo Antônio (OSID) ou através dos Hemóveis. De janeiro até 12 de setembro de 2017, 10.090 cadastros para doação de medula óssea foram realizados somente pela Hemorrede Pública da Bahia.

Quem pode doar

Para se tornar um doador de medula óssea é necessário:

  • Ter entre 18 e 55 anos de idade
  • Estar em bom estado geral de saúde
  • Não ter doença infecciosa ou incapacitante
  • Não apresentar doença neoplásica (câncer), hematológica (do sangue) ou do sistema imunológico
  • Algumas complicações de saúde não são impeditivas para doação, sendo analisado caso a caso.

Como se tornar um doador

  • Procure o hemocentro e agende uma consulta de esclarecimento ou palestra sobre doação de medula óssea
  • O voluntário à doação irá assinar um termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE), e preencher uma ficha com informações pessoais. Será retirada uma pequena quantidade de sangue (10ml) do candidato a doador. É necessário apresentar o documento de identidade
  • O seu sangue será analisado por exame de histocompatibilidade (HLA), um teste de laboratório para identificar suas características genéticas que vão ser cruzadas com os dados de pacientes que necessitam de transplantes para determinar a compatibilidade
  • Os seus dados pessoais e o tipo de HLA serão incluídos no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME)
  • Quando houver um paciente com possível compatibilidade, você será consultado para decidir quanto à doação. Por este motivo, é necessário manter os dados sempre atualizados
  • Para seguir com o processo de doação serão necessários outros exames para confirmar a compatibilidade e uma avaliação clínica de saúde
  • Somente após todas estas etapas concluídas o doador poderá ser considerado apto e realizar a doação.

*G1