Artistas cobram políticas de promoção à cultura

Eles elaboraram uma carta aberta ? popula??o contendo reivindica??es e den?ncias, criaram um movimento e prometem mobiliza??o para a pr?xima sexta, 30.
?A Corda?. Assim se chama o movimento que, segundo os organizadores, re?ne mais de 300 artistas de Santo Ant?nio de Jesus (a 185 km de Salvador), do Rec?ncavo e de Salvador que reivindicam melhores condi??es para realiza??o e divulga??o da arte e da cultura no munic?pio e regi?o.
O movimento, liderado pelo cineasta Tau Tourinho e apoiado pelo renomado artista pl?stico Marepe, tem como principal objetivo reivindicar pol?ticas p?blicas de promo??o cultural na cidade, efetivar a restaura??o do Centro Cultural e a constru??o de espa?os alternativos de cultura em Santo Ant?nio de Jesus.
Os artistas locais est?o preocupados com o descaso cultural por parte das autoridades do munic?pio, que, para eles, n?o incentivam a cultura. ?O movimento de cunho pac?fico tem o objetivo de chamar aten??o da popula??o de Santo Ant?nio e regi?o para o descaso h? mais de 20 anos com a quest?o cultural no munic?pio, bem como agregar os artistas para que os mesmos tenham consci?ncia da uni?o da classe e possam reivindicar e fazer valer seus direitos?, ressaltou Tau Tourinho.
Para o artista pl?stico Marepe, o artista vive da arte, mas precisa de oportunidades, espa?o e incentivos para divulgar sua arte. ?N?o h? um espa?o adequado para o artista exercer sua arte ou que abrigue, por exemplo, uma grande exposi??o, livros, pe?as teatrais, discos, e nem para que os artistas mostrem seus trabalhos, como um anfiteatro. Em 1987 quando o Centro Cultural foi inaugurado, houve uma grande participa??o dos artistas. Mais de 20 anos depois, o Centro est? abandonado por falta de manuten??o do espa?o. Vivemos um apag?o cultural no munic?pio?, pontuou o artista.
De acordo com os artistas, em Santo Ant?nio de Jesus, a Declara??o Universal e Americana dos Direitos Humanos ?est? sendo violada em v?rios aspectos humano-sociais?. ?Uma cidade p?lo do Rec?ncavo baiano, com cerca de 100 mil habitantes, contando ainda com uma popula??o flutuante de 600 mil pessoas/m?s e que det?m maior renda per capta da regi?o, carece de espa?os e a??es que promovam eventos art?sticos a fim de atender ao p?blico carente de cultura?, destacou o cineasta Tau Tourinho.
Para o cineasta, h? cerca de 30 anos a cidade vem perdendo sua identidade cultural. ?Tivemos perdas arquitet?nicas, art?sticas e culturais que ocorreram ao longo das ?ltimas tr?s d?cadas, como a demoli??o do antigo e imponente Barrac?o de Farinha da Pra?a Padre Mateus; demoli??o da antiga esta??o ferrovi?ria para constru??o de estacionamento comercial. Al?m do encerramento das grandes vaquejadas, concursos de fanfarras, festas de largo, festivais de m?sica; m? conserva??o do arquivo p?blico; n?o viabiliza??o do projeto Centro de Estudos Santantonienses (Casa da Mem?ria) e do Instituto do Patrim?nio Arquitet?nico e Art?stico Municipal e a inexist?ncia de um Conselho de Cultura.

Faltam recursos para cultura

O secret?rio municipal de Cultura, Esporte e Turismo, Hernane Merc?s, considera a manifesta??o dos artistas leg?tima e alega dificuldades em atrair verba espec?fica para a ?rea cultural. ?N?o h? uma verba direcionada para a cultura, a chamada ?verba carimbada?. A gente fica com o prato na m?o, pedindo a um e outro, buscando emenda parlamentar para a atividade cultural. J? vivi como artista e desportistas e sei das dificuldades. As verbas que chegam para o S?o Jo?o s?o destinadas por deputados ou patroc?nios. N?o direcionamos recursos apenas para os festejos juninos?, ressaltou o secret?rio. Merc?s acrescentou que ?as atividades esportivas s?o mais f?ceis de atrair recursos?.
Segundo o secret?rio, foi criada a Lei 732/2002, de autoria dele quando foi vereador, que disp?es sobre a po?tica de Desenvolvimento Cultural do Munic?pio e cria o Conselho MUnicipal de Cultura. Mesmo previsto em lei, o Conselho n?o funciona. “Cabe aos artistas p?r em pr?tica alei que foi criada para benefici?-los”, disse Hernane Merc?s.
A prefeitura est? reformando o Centro Cultural e segundo Hernane Merc?s foi elaborado um projeto de amplia??o para o espa?o, onde cabem apenas 180 pessoas. ?N?o podemos abri-lo como est?. J? fizemos o telhado externo, paredes, pintura e n?o queremos mudar a caracter?stica original. N?o h? muitos recursos, mas estamos fazendo algumas reformas, como melhorar o palco, os boxes que s?o pequenos. Tentando melhorar o espa?o para a popula??o art?stica, por isso a demora de entreg?-lo ? comunidade. Ele n?o est? abandonado. Estamos recuperando, mas ainda n?o est? funcionando porque queremos entregar uma obra decente?, assegurou.