Em um cenário onde o desemprego atinge 12 milhões de brasileiros, segundo dados do Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), sobram vagas para profissionais com formação técnica. Só a recrutadora ManpowerGroup contabiliza atualmente 100 vagas em aberto na capital baiana (veja na tabela abaixo) com dificuldades de contratação por falta de disponibilidade de profissionais. A situação se reflete em um levantamento recente feito pela empresa sobre escassez de talentos. Dos mais de 42 mil empregadores entrevistados, 41% deles estão com postos de trabalho em aberto por falta mão de obra com habilidade técnica.
Escassez que é também confirmada pelo Mapa do Trabalho Industrial, elaborado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) que aponta a necessidade de qualificar na Bahia, entre 2017 e 2020, mais de 54 mil profissionais que precisam atender a demanda de setores que estarão em alta no mercado, entre eles, Meio Ambiente e Produção, Metalmecânica, Energia, Construção, Tecnologias da Informação e Comunicação. No país, este número chega a 13 milhões de trabalhadores (veja no gráfico).
“Atualmente, apenas 11% dos estudantes que saem do ensino médio escolhem a formação profissional. Dessa forma, a demanda por técnicos é maior que a sua oferta”, explica a gerente de Educação Profissional do Senai, Patrícia Evangelista.
Segundo ela, é preciso despertar o interesse dos profissionais com relação às vantagens em se seguir uma carreira técnica. “É preciso ampliar o acesso à informação e despertar o interesse dos jovens pela educação profissional desde o ensino fundamental II, passando pelo médio e com programas de fomento específicos”, diz Patrícia Evangelista, que reforça as chances de crescimento na carreira e a diversidade das áreas onde esse profissional pode atuar.
“Vale mostrar a eles que há mais de 30 áreas onde é possível atuar nas linhas de produção, projeto, desenvolvimento e inovação, entre outros”, recomenda.

Carência
As empresas estão apostando em atrativos para fisgar este profissional, entre eles a remuneração. Para a diretora de marketing e RH do ManpowerGroup, Márcia Almström, no caso de vagas técnicas, o salário chega a alcançar, pelo menos, 95% do valor de um profissional que está numa posição acima e de nível superior. “Isso quer dizer que, com um esforço menor de aprendizado, o técnico acaba conquistando um salário muito próximo do que um profissional com mais qualificação, em termos de formação acadêmica”, ressalta.
O investimento em qualificação e a possibilidade de subir mais rapidamente na carreira são mais estratégias de retenção. Isto porque 76% das empresas estão treinando e desenvolvendo profissionais da empresa para exercerem outras funções na própria companhia. “As empresas têm assumido um papel de formadoras e patrocinam o treinamento, justamente pelo esforço maior na busca por esse profissional. Há aí também um upgrade no pacote de benefícios com essa oportunidade de crescimento dentro da própria empresa”.
Em Salvador, o esforço em encontrar profissionais atinge outras áreas além da indústria como destaca ainda Márcia: “Temos muitas vagas te perfil técnico na área de serviços, venda e atendimento ao cliente. Uma tendência de mercado que deve crescer é voltada a demanda por profissionais técnicos de saúde”.
Habilidades
Para os profissionais que têm interesse em garantir um emprego na área vai ser necessário focar em qualificação e conhecimento específico. A recomendação é da supervisora de assessoria de carreira da Catho, Larissa Meiglin. Das mais de 150 mil vagas anunciadas no site em todo o país, 7,3 mil exigem um perfil técnico.
“A preferência que muita gente dá ao ensino superior é mais um fator que acaba agravando este cenário. E as empresas precisam de especialistas operacionais, ativos, que gostem de trabalhar com rotina e que trabalhem bem em equipe”, afirma.
Quanto maior a dificuldade em encontrar este profissional disponível no mercado mais o seu “passe” será valorizado. “Justamente por ser difícil de achá-los, as empresas fazem de tudo para não perder este profissional, independente de crise. O risco de perder o emprego é bem menor quando comparado a outras áreas do mercado de trabalho”, diz a especialista. “É um profissional realmente estratégico e muito bem requisitado pelo mercado”, acrescenta.

(Correio)



