O serviço de esgotamento sanitário da Empresa Baiana de Ãgua e Saneamento (Embasa), que em Salvador cobre 85% dos domicÃlios, não chega à residência de Maria, por conta de um detalhe técnico. “A casa é mais baixa que o nÃvel da rede de esgoto”, conta ela. Por todo o território baiano, a principal prestadora de serviços de saneamento básico no Estado oferece hoje rede de esgotamento a apenas 72 dos 417 municÃpios da Bahia, atendendo a 3,9 milhões de pessoas, cerca de 27,8% da população total de 14 milhões de habitantes. Nas outras 345 cidades, e para outros 10,1 milhões de residentes baianos, ou não há o serviço de esgotamento, ou ele é realizado por instituições privadas ou por autarquias e empresas municipais, como o Sistema Autônomo de Ãgua e Esgoto (SAAE). A implicação é que nem sempre os municÃpios contam com o modelo ideal de esgotamento sanitário: com coleta, tratamento e destinação final. Um exemplo evidente é Itabuna. Com mais de 200 mil habitantes, quarta mais populosa do Estado, a cidade quase não dispõe de estação de tratamento e o esgoto quase todo vai parar in natura no já poluÃdo Rio Cachoeira. Quem presta o serviço de rede de esgoto na cidade é uma empresa municipal. Fossa séptica – Segundo o coordenador de disseminação de informações do Instituto Brasileiro de Geografia e EstatÃstica (IBGE), Joilson Rodrigues, a instituição considera a fossa séptica como esgotamento adequado. Mas para a Embasa ela é um sistema não convencional, pois apesar de evitar lançamento de dejetos nos rios, não contempla o tratamento completo do esgoto. No Estado, são 260.445 domicÃlios com fossa séptica. Outras 1.305.711 casas utilizam fossa rudimentar. Esta apresenta risco maior de contaminação do lençol freático porque não conta com revestimento, informa a coordenadora da Central de Produção de Indicadores UrbanÃsticos e Ambientais, da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, Habitação e Meio Ambiente (Sedham) de Salvador, Elisabete Pereira dos Santos. Os dados do IBGE sobre esgotamento sanitário ainda mostram que 7,9% (324.347) do total de domicÃlios baianos identificado no Censo 2010 sequer possuem banheiro.





