Leandro Colon e Fernando Mello, Folha de S. Paulo Sob risco de virar alvo do STF (Supremo Tribunal Federal), o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) emprega em seu gabinete uma enteada de Gilmar Mendes, um dos 11 ministros da corte. Ketlin Feitosa Ramos, que é tratada na famÃlia como filha do ministro, ocupa desde setembro o cargo de assessora parlamentar de Demóstenes, posto de confiança e livre nomeação. O senador passa hoje por uma crise polÃtica por ter seu nome envolvido na Operação Monte Carlo, que desmontou no mês passado um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro na exploração de jogos caça-nÃquel. Acusado de ser o chefe do esquema, o empresário Carlinhos Cachoeira é amigo de Demóstenes e teve 300 telefonemas com ele gravados pela polÃcia. O senador confirmou que recebeu de Cachoeira um telefone antigrampo, um fogão e uma geladeira de presentes de casamento. Investigação mostrou que o senador também pediu ao empresário R$ 3.000 para pagar despesas de táxi-aéreo. Como senadores possuem foro privilegiado (só podem ser investigados com autorização do STF), todo o material que envolve Demóstenes e outros polÃticos foi remetido para análise do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Ele poderá pedir ao STF autorização para abrir um inquérito especÃfico para investigar o senador. Gurgel não tem prazo para isso. Se o pedido de inquérito for feito, o caso será distribuÃdo automaticamente a um dos 11 ministros do STF, incluindo Gilmar Mendes, caso ele não se declare impedido. (O Globo)





