Estudantes continuam sem aulas nas federais

Para muitos brasileiros, o país tem se tornado refém das greves. Somente este ano, foi possível acompanhar as paralisações de Policiais Militares, dos Correios, de médicos e recentemente dos professores. Porém, a greve dos professores das universidades públicas se prolonga cada vez mais e parece não ter fim, e a exemplo da paralisação dos professores da rede estadual, acaba prejudicando muitos estudantes. De acordo com universidades da Bahia, são cerca de 12 mil estudantes universitários que podem ser prejudicados com as paralisações. No Brasil, o número total chega a mais de 1 milhão. ?A situação está péssima para todos os estudantes. Mesmo com o referendo promovido pela Associação dos Professores Universitários da Bahia (Apub) que decidiu pela não paralisação das atividades dos docentes na Universidade Federal da Bahia (Ufba), os alunos da UFBA pedem por melhorias nas estruturas da universidade e melhores livros no acervo da faculdade. A educação precisa ser prioridade em nosso país.?, disse um estudante, em assembleia realizada semana passada no departamento de Arquitetura. Ainda na Bahia estão em greve os professores das universidades do Recôncavo e do Vale do São Francisco. Em todo o país, já são 53 as instituições que aderiram à greve, deixando milhares de universitários sem aulas. Com o objetivo de resolver os impasses, os professores das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) se reuniram ontem com representantes do Ministério do Planejamento. A categoria está paralisada há quase um mês e espera do governo uma proposta de mudanças para o atual plano de carreira docente. De acordo com a presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES), Marina Barbosa, a expectativa é de que as negociações avancem. ?Na última reunião antes da greve, em 15 de maio, o governo nos apresentou verbalmente alguns pontos, que eram a repetição da proposta apresentada em dezembro de 2010. Ou seja, as negociações não avançam?, afirmou a dirigente. Além da greve dos professores universitários, na segunda-feira (11), a Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Brasileiras (FASUBRA) anunciou a adesão à greve dos técnicos administrativos das universidades federais. Com a decisão, os técnicos se juntam ao movimento iniciado pelos docentes das universidades federais. Enquanto professores pararam suas atividades para pedir revisão do atual plano de carreira, técnicos reivindicam um piso para categoria de três salários mínimos. No ano passado, os servidores das universidades federais fizeram uma greve de quatro meses, entretanto o governo negou-se a negociar enquanto a categoria permanecesse parada. A categoria encerrou a paralisação sem que suas reivindicações fossem atendidas.O Ministério da Educação (MEC) disse que não irá se pronunciar sobre a paralisação. (Tribuna da Bahia)