primeiro desses motivos, sem dúvida, é ganhar da França e festejar uma vitória convincente depois de duas semanas de trabalhos intensos. Apesar de jogar bem em partes dos amistosos feitos desde que Felipão assumiu o lugar de Mano Menezes, o Brasil ainda não derrubou um grande do futebol internacional. Bateu na trave contra ingleses e italianos e ficou nisso. De modo que a França será um adversário interessante. O time de Didier Deschamps também fez sofrer alguns desses moleques da seleção, que em 1998 ainda não pensavam nem sequer em jogar futebol. Lucas, por exemplo, tinha seis anos quando viu Zidane e companhia liquidarem o Brasil na Copa do Mundo da França. O outro bom motivo para ganhar mais aplausos do que vaias na Arena do Grêmio é o próprio Luiz Felipe Scolari. Querido no Rio Grande do Sul, Felipão talvez seja o único gaúcho que agrade a gremistas e colorados ao mesmo tempo.
Seu prestígio em Porto Alegre é ainda maior do que quando deixou o Olímpico rumo ao Japão para, pouco depois, dirigir o Palmeiras e ser campeão da Libertadores e ganhar o mundo. Os gaúchos o adoram. Embora não tenha sido ideia dele, nem de sua comissão, mandar esse amistoso em seu reduto, a estratégia política do presidente da CBF, José Maria Marin, pode lhe servir. Marin precisava fortalecer laços com a Federação Gaúcha de Futebol e, por isso, não pensou duas vezes antes de tirar o time de Goiânia para mandá-lo por quatro dias a Porto Alegre. Quando decidiu fazer isso, Felipão ainda não era o treinador do Brasil.
Coincidentemente, às vésperas da campanha do penta, em 2001, Felipão também desembarcou com sua equipe na capital do Rio Grande do Sul, daquela vez para enfrentar o Paraguai pelas Eliminatórias Sul-Americanas. Ganhou por 2 a 0 e respirou um pouco mais aliviado em um momento difícil de seu trabalho à frente da equipe. Aquela vitória empurrou o time para a Copa. Os gols foram de Rivaldo e Marcelinho Paraíba. Cris, Juan e Roque Júnior eram os zagueiros do time – os dois primeiros hoje atuam no Grêmio e no Inter, respectivamente.
Chance parecida se coloca à frente do treinador agora. Felipão não vai deixar a oportunidade passar. Ele sabe que são poucos os jogadores do elenco da seleção capazes de levantar o torcedor gaúcho e que seu nome, e talvez o do preparador físico Paulo Paixão, tem muito peso dentro da Arena. “O que importa também é o que a seleção fará em campo neste domingo. No Rio, jogamos bem o primeiro tempo e isso trouxe o torcedor para mais perto. Aqui, em Porto Alegre, vai ser a mesma coisa”, acredita o atacante Lucas. “Basta ele (o torcedor) ver vontade na equipe.”



