Secretário descarta divisão na base de apoio para sucessão de Jaques Wagner

Apontado como um dos homens fortes do governador Jaques Wagner, o secretário estadual de Comunicação, Robinson Almeida, analisa duas hipóteses para o próprio futuro político e do governador Jaques Wagner. Ambos podem permanecer até o final de 2014 no mandato ou optar pela disputa por uma vaga na Câmara Federal.

Em entrevista à Tribuna, o titular da Secom diz não achar possível mais de uma candidatura da base e defende que o nome para a sucessão de Wagner seja definido após o Carnaval do próximo ano.

Na avaliação de Almeida, o governo caminha para se consolidar com a imagem de quem investiu nas relações políticas, no social e também no que ele chama de ?novo modelo de desenvolvimento para o estado?.

Tribuna ? Como o senhor avalia os investimentos que o governo do estado começou a fazer em maior volume agora em Salvador?Robinson Almeida ? Muito importantes para a cidade, especialmente o metrô, que era uma pendência que, no governo passado aqui da prefeitura, não tinha conseguido equacionar e agora, nessa nova gestão, houve o entendimento nesses primeiros meses. Depois de 13, 14 anos sem solução, o governo do estado puxa para si e vai resolver o principal problema da mobilidade urbana. Tem um conjunto de outras intervenções na cidade que somam o que já foi feito, o que está em execução e o que está contratado com recursos assegurados de mais de R$ 10 bilhões. Destaco o Hospital do Subúrbio, a Via Expressa, que inaugura agora em setembro, o emissário submarino, o Estádio de Pituaçu, a Arena Fonte Nova, o pacote de mobilidade urbana aqui na área da Paralela, Narandiba, Imbuí, a duplicação da Pinto de Aguiar. São obras estruturantes, à altura da cidade de Salvador.

 Tribuna ? A imagem do governador teve um impacto positivo com a aproximação com o prefeito ACM Neto. A imagem dele em Salvador está melhor avaliada, pelo que vocês têm observado internamente?

Robinson ? Certamente, com maiores realizações do governo, o governante tem um reflexo na sua imagem pessoal. Esses primeiros meses do ano de 2013 foram de várias iniciativas na cidade, a inauguração da Arena Fonte Nova, um pacote de medidas e esse ambiente de parceria administrativa também colaboraram para uma necessidade da cidade, que reclama por uma união de todos os poderes para tirá-la dessa situação de muita dificuldade que tem enfrentado. Então, tudo isso gerou uma sinergia positiva que reflete na imagem do governo e do governador.

 Tribuna ? Ganha mais com essa relação entre os governos, o prefeito, o governador ou a cidade? 

Robinson ? Ganha todo mundo, e óbvio que quem ganha mais é o cidadão. A razão dos governos existirem é prover a sociedade de serviços, obras, soluções para as suas vidas. E ao se juntarem, se unirem em prol da solução dos problemas, certamente faz o jogo do ganha-ganha de todo mundo. Nesse capítulo, Salvador tem um resultado positivo.

 Tribuna ? O prefeito ACM Neto já sinalizou a possibilidade de apoiar a presidente Dilma em 2014. O senhor acredita que esse apoio possa repercutir aqui no estado?

Robinson ? Certamente, a eleição presidencial é uma eleição casada, acompanhada de eleição de governadores, de senadores, de deputados federais e deputados estaduais. No apoio ao projeto liderado pela presidenta Dilma, vai refletir na base de apoio que ela tem nos estados. Então, creio que quanto mais forte for a candidatura da presidenta Dilma, serão as candidaturas que têm uma relação com o projeto nacional. Certamente, terá um reflexo positivo.

 Tribuna ? O senhor acredita que seja viável uma união entre o DEM, do prefeito ACM Neto, e o PT, do governador Jaques Wagner, aqui na Bahia?

Robinson ? Isso tem muita água pra rolar. Creio que há um entendimento de parceria administrativa, a presidenta anunciou R$ 1 bilhão em obras de mobilidade urbana para a cidade, esteve aqui na inauguração da Fonte Nova, a relação de receber, em seu gabinete, o prefeito ACM Neto, da mesma forma o governador tem chamado, tem convidado o prefeito para todos os anúncios e inaugurações, na cidade, do governo do estado. O ambiente é muito positivo para o entendimento administrativo. Na área política, creio que depende muito mais da evolução do posicionamento do prefeito em relação ao arranjo partidário que vai participar, qual o bloco de forças que vai compor nacionalmente, os desdobramentos virão dessa decisão. (Tribuna da Bahia)