Brasileiros devem temer o &#39não protesto&#39, diz manifestante turca

Assim como o Brasil, que vive dias de manifestações nas ruas das grandes cidades, os turcos protestam há cerca de um mês contra a repressão do governo do premiê Recep Tayyip Erdogan. Para uma das organizadoras das manifestações turcas, os brasileiros não têm de temer a repressão policial, mas sim o que pode acontecer se ficarem em casa e não reivindicarem seus direitos. Em entrevista ao G1, a estudante de desenho industrial Sezgi Kaya, de 21 anos, disse que há três semanas organiza protestos contra as políticas do premiê. “Nós, turcos, estamos pensando muito sobre como manter o movimento sem dar margem para violência e para a repressão policial. É muito difícil.”

Ela aconselhou os brasileiros que, em caso de violência  – tanto por parte de manifestantes quanto por parte da polícia -, é preciso manter a calma. “Ainda mais quando se está numa multidão. Sempre existirão pessoas que começarão o tumulto.? O movimento contra Erdogan começou em 31 de maio no parque Gezi, em Istambul, quando a polícia reprimiu violentamente centenas de ecologistas que se opunham ao corte de 600 árvores do parque. O protesto se espalhou por todo o país, contrário à repressão e às políticas do governo Erdogan, que é acusado de autoritarismo e de tentar “islamizar” o governo.As manifestações contra o governo do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), do premiê, no poder desde 2002, deixaram ao menos quatro mortos e milhares de feridos. No último dia 22, o premiê turco chegou a comparar as manifestações no Brasil e na Turquia dizendo que ambas eram ?vítimas da mesma conspiração? e que o uso do Facebook, Twitter aumentava esta conspiração.Os brasileiros, para Sezgi, são “um apoio emocional? para o movimento turco. ?Não dá para comparar os caminhos da Turquia e os do Brasil, em algumas coisas nós somos diferentes, mas mesmo assim podemos aprender juntos.” (G1)