
O corretor de imóveis Antônio Jorge Reis de Souza, 33 anos, estava no São João de Amargosa quando recebeu pelo whatsapp a notícia que o seu melhor amigo, William Oliveira, 28 anos,tinha sido atingido por dois tiros no peito, na cidade vizinha, Santo Antônio de Jesus. Sem acreditar no que estava vendo, ele recebeu a foto do amigo que ele viu crescer estendido no chão, baleado. A festa perdeu para ele todo o sentido a partir dali. E nesta quarta-feira (26), ao assistir televisão, mais tristeza: Antônio Jorge soube pela TV que o amigo tinha morrido. “Ainda estou sem acreditar. Já chorei muito hoje. Chorei da cabeça doer”, diz, ainda abalado.
Antônio Jorge conta que William sempre foi querido por todos e nunca teve nenhum inimigo. “Era sempre alegre e, mesmo em momentos difíceis, nunca deixava de sorrir e levar a vida com felicidade. Era super prestativo, amigo, extrovertido. Além de ser um pai babão e super presente pra as filhas dele”, define Antônio Jorge, se referindo às três filhas de Will – a mais velha, de 10 anos, a do meio, 8 anos, e, a caçula, que ele sequer viu crescer, pois só tem 40 dias de vida. “Aposto que nos últimos momentos, ele só pensava nelas três. Como amigo, farei tudo que puder pelas filhas dele”, acrescentou.
Depois de saber a notícia, Antônio Jorge lembrou de tudo que viveu com o amigo. “Ele vai fazer muita falta. Não vou esquecer nunca das nossas brincadeiras, dos nossos risos constantes. Ele era uma pessoa correria, que estava sempre buscando o crescimento profissional, sem tomar nada de ninguém e sem passar por cima também”, afirma.
Ele lembra ainda que desde cedo William batalhou para conquistar as coisas que queria. “Sempre foi trabalhador, desde pequeno. Trabalhou na lanchonete da vó, que era como uma mãe pra ele. Teve uma loja de celular, depois trabalhou em uma indústria de asfalto, depois juntou uma grana e começou no ramo de compra e venda de veículos, conseguindo em 2018 abrir sua própria loja de veículos, a Will Car. Depois ingressou no ramo musical, passando a ser dono da banda Black Style, da Baile do Guna e da Preto de Luxo”.
Torcedores do Bahia, os amigos sempre costumam se reunir nas barraquinhas do Imbuí para assistir ao tricolor em campo. A partir de agora, Antônio Jorge não terá mais a companhia do fiel escudeiro. “Amanhã o enterro será lotado. A imprensa entenderá o quanto ele era querido”, garante.
Outra amiga do empresário, que preferiu não se identificar, contou que Will era uma pessoa de muitos amigos, que nunca teve problemas com ninguém. “Ele era uma pessoa muita dada, era impossível vê-lo triste, a gente dizia que ele era surreal”, descreve.
Ela diz ainda que William sempre foi muito festeiro, mas não gostava de ostentação. Questionado sobre o que pode ter levado Iuri a matar o amigo, ela diz que a vítima nunca aceitou a forma que iuri era. “Ele não aceitava isso dele julgar as mulheres, expor a família, a questão do caráter mesmo. william não gostava do caráter dele”, explica.
Segundo a amiga, até dezembro William era proprietário da Will Car, uma loja de venda de veículos usados. “Ele abriu mão da loja para investir na banda. Era o sonho dele fazer a banda dar certo”, conta. Ainda segundo ela, nos últimos meses ele abriu uma loja de celulares no Cabula, bairro que morava.
Ex-sócio de Will na banda Black Style, o produtor Roque Bispo também não escondia a tristeza. “A gente tinha esperança, mas ele não suportou. Está todo mundo desesperado. Will era uma pessoa muito querida, que todo mundo gostava”.
Prisão
Iuri Sheik se apresentou à polícia na tarde desta quarta-feira (26), três dias após o crime. Ele chegou à sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na Pituba, em Salvador, horas após a confirmação da morte de Will, de quem era desafeto.
Sheik era considerado foragido desde domingo, quando atirou em Will durante uma tentativa de cumprimento. Havia um mandado de prisão preventiva em aberto contra, que havia sido expedido na segunda (24). Na chegada ao DHPP, ele não falou com a imprensa, mas disse que a ocorrência destruiu sua vida. De origem humilde, Iuri tinha duas lojas de roupas, sendo uma no Cabula e outra na Estrada das Barreiras, onde o CORREIO este nesta quarta. No Instagram, é seguido por mais de 280 mil internautas.
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| (Foto: Alberto Maraux/Secretaria de Segurança Pública) |
Ele se apresentou no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) à delegada Clelba Regina Teles, na Pituba, com advogados. Questionado sobre a arma utilizada no crime, Yuri disse ter perdido, depois da fuga.
Após se apresentar no DHPP, o acusado teve o mandado de prisão cumprido no Departamento de Polícia do Interior, na Piedade. De lá seguirá custodiado para o Departamento de Polícia Técnica para a realização de exames de corpo de delito e, em seguida, para o sistema prisional,
O caso é investigado pelo delegado titular da 4ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/Santo Antônio de Jesus), Edílson Magalhães, que ouvirá o acusado ainda essa semana.
Relembre o caso
William Oliveira era um ex-sócio da banda de pagode Black Style. De acordo com o produtor Roque Bispo, a vítima foi baleada no peito duas vezes. Will chegou a ser operado e estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Geral de Santo Antônio de Jesus, para onde foi socorrido.
A infomação da morte foi confirmada pelo titular da 4ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/Santo Antônio de Jesus), Edilson Magalhães.
“Nesse momento estamos ouvindo aqui os parentes da vítima na delegacia”, disse o delegado ao CORREIO nesta quarta. Iuri Sheik teve o mandando de prisão preventiva decretada no mesmo dia do crime.
O produtor Roque Bispo disse que a vítima e o suspeito nunca se relacionaram bem. “Eu nunca entendi o porquê, mas não nunca se deram bem. Acredito que Sheik fez isso porque estava com muita cachaça na cabeça, não sei, não falei com ele depois disso”, afirmou Roque, que diz ser amigo do suspeito.
Segundo ele, os dois moram em Salvador e teriam se encontrado, por acaso, em Santo Antônio de Jesus. Quanto à sociedade com a vítima, ele se limitou a dizer que Will já “não pertence mais à marca Black Style”.
Will morava no bairro do Cabula, em Salvador, e era proprietário de uma loja na entrada da Engomadeira.
*Correio




