Tribunal de Justiça volta a suspender juiz do caso Monte Santo

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) voltou a suspender, nesta quarta-feira (23), o juiz Luís Roberto Cappio, responsável pelas comarcas de Euclides da Cunha e Monte Santo. A decisão unânime foi tomada pelos desembargadores do órgão, durante sessão realizada no Pleno do órgão.   Desta vez, o afastamento é por tempo indeterminado. Segundo o TJ-BA, a determinação só deve ser modificada após a finalização dos processos administrativos aos quais o juiz foi submetido, após denúncias de indisposição do juiz com os três promotores da comarca de Monte Santo, com serventuários da Justiça e com delegado de polícia da cidade.  O nome de Cappio ganhou destaque por estar envolvido no caso de adoção ilegal de cinco crianças no município de Monte Santo. Foi ele quem solicitou o retorno dos menores, entregues irregularmente a casais paulistas, à cidade do interior baiano. Além da comarca de Euclides da Cunha, o juiz também é responsável pela de Monte Santo. À época, ele já se queixava da medida. Cappio alegou que os desembargadores do TJ-BA foram induzidos ao erro pela argumentação do MP baiano. Ainda segundo o juiz, era inadmissível que um magistrado fosse afastado de suas atividades da forma como ele foi. Cappio afirmou ainda que continuaria se defendendo até o fim, e que as pessoas responsáveis por tudo isso iriam pagar judicialmente. Para o juiz, a decisão do Tribunal de Justiça da Bahia foi baseada em provas forjadas do MP-BA. Caso Monte Santo O caso Monte Santo ganhou repercussão nacional quando a imprensa começou a noticiar que cinco crianças tinham sido retiradas do convívio de seus pais, de forma ilegal, e entregues para adoção para famílias paulistas. O juiz da comarca municipal, Vitor Xavier Bizerra, afastado do cargo, além de intermediários, é acusado de participar de um esquema de adoção ilegal que, de acordo com a ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, pode ter ligação com um esquema de tráfico de crianças.  Desde então, membros da CPI do Tráfico do Tráfico de Pessoas ouviram a mãe dos menores, Silvânia Mota da Silva, e estiveram nos municípios nos municípios de Monte Santos e Euclides da Cunha para ouvir outros envolvidos e entender detalhes do caso, que segue sendo investigado pela Justiça. Os menores voltaram à cidade e ao convívio dos pais no dia 19 de dezembro do ano passado.