Nos dicionários, bienal é o evento que acontece a cada dois anos. Na prática, entretanto, a Bahia descobriu que pode ser diferente: no ano que vem, acontece a Terceira Bienal da Bahia, exatamente 46 anos após a realização da segunda, em 1968, interrompida pela ditadura militar.
Em entrevista coletiva concedida nesta segunda-feira, 2, no Casarão do Museu de Arte Moderna da Bahia (Contorno), organizadores, artistas e representantes do governo estiveram presentes para apresentar a Terceira Bienal, que acontece de 29 de maio a 4 de setembro de 2014.
O evento acontecerá durante 100 dias e vai se espalhar por diversos espaços de Salvador e de outros municípios baianos. “A ideia é de que a Bienal seja um dos grandes projetos da Secretaria de Cultura no ano que vem. É no período da Copa do Mundo, e justamente para colocar a cultura brasileira e baiana em foco, dar visibilidade”, afirma o secretário estadual de Cultura, Albino Rubim.
Presente no evento, a coreógrafa Lia Robatto concorda. “É importante que o artista tenha como sobreviver a partir de um mercado, precisa ter visibilidade. A Bienal é isso também”.
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Diretor do MAM, Marcelo Rezende está à frente da realização da Bienal, que terá como tema a questão É Tudo Nordeste?. “A região agrega tradições e cria uma situação instável, o Nordeste se constrói e se desconstrói ao mesmo tempo”, diz.
Dentre as ações que estão programadas para a Bienal, estão um bloco de Carnaval em junho, desfile de Dois de Julho durante o Sete de Setembro e exposições na casa de pessoas. “Há também um bar que vai virar um lounge da Bienal e ações na ilha de Itaparica”, Marcelo Rezende conta.
Para ele, a Bienal é uma forma de dar maior visibilidade aos artistas baianos. “Existe o dilema de ter de se formatar ao que o mercado pede ou de enfrentar uma situação de isolamento por não formatar. Ao mesmo tempo, ele tem liberdade de criar. Queremos descortinar essa produção, muitas vezes invisível fora daqui”.
Em primeira mão, Rezende conta que, no dia 24 de janeiro, Salvador receberá uma delegação de curadores da Bienal de São Paulo. “Eles vêm para encontrar e conhecer artistas baianos”, avisa.
Para o artista Ayrson Heráclito, a Bienal será um evento fundamental para a construção da memória do estado. “Ela tem como metodologia essa ideia de reencenar o espaço, de uma arqueologia. É inadmissível que artistas que foram muito importantes hoje em dia não tenham visibilidade nenhuma”.
Ele conta que a pesquisa tem sido árdua, ainda mais pela falta de bibliografia sobre esses artistas. “Estamos redescobrindo o Brasil, pensando arte a partir de um Nordeste amplo que dialoga com o mundo”.
Gaio, artista plástico, também acredita nas possibilidades oferecidas pela Bienal. “Temos artistas com uma produção muito boa, mas bastante fragmentada. Precisamos produzir um outro tipo de subjetividade, a levar a experiência estética a outros espaços da cidade. Vivenciar a cultura como pensamento”, ele deseja. (G1)



