Caminhada pede justiça após morte de bebê em que policial é suspeito

Um grupo de moradores do bairro onde morava a garotinha de apenas um ano de idade morta com tiro na cabeça durante ação policial em Amargosa, a 250 km de Salvador, fez uma caminhada pacífica na manhã deste domingo (20) pelas ruas da cidade.

Os pais da criança estiveram entre as cerca de 70 pessoas que participaram da manifestação para lembrar o caso e pedir justiça. De acordo com informações da Polícia Militar, os manifestantes saíram do bairro Catiara por volta das 10h e percorreram ruas do centro deAmargosa, levando cartazes.

Policiais acompanharam todo o percurso e não houve registro de violência durante o ato. A concentração de pessoas se desfez cerca de uma hora e meia após o início do protesto. “Foi tudo tranquilo”, garantiu ao G1 o coronel Luziel, da PM local.

O cenário pacífico deste domingo se contrapôs ao quebra-quebra promovido na cidade na noite em que a garota foi acertada por um tiro quando estava dentro de casa, no colo do pai, conforme relato de familiares.

Tudo ocorreu na quarta-feira (16) quando, durante uma perseguição policial, um homem diz que invadiu a casa da família e um policial civil acabou disparando. O civil apontado como suposto autor do tiro que matou a criança é também vereador da cidade de Cachoeira. Em depoimento, ele negou que o disparo que matou a menina tenha saído da arma dele.

O casoO policial civil suspeito é vereador da cidade de Cachoeira, a cerca de 110 km de Salvador. A informação foi confirmada no sábado (19) pelo coordenador do Departamento de Polícia do Interior (Depin), Moisés Damasceno. Segundo ele, não há incompatibilidade em exercer o mandato de vereador e ser policial.

A presidente da Câmara de Cachoeira, Adriana Silva, informou ao G1 que irá esperar o resultado das investigações para decidir o que será feito em relação à continuidade das atividade de Carlos Raimundo de Jesus Cardoso.

O suspeito prestou depoimento na Corregedoria da Polícia Civil, em Salvador, na quinta-feira (17). Ele nega ter atirado na criança e a Polícia Civil informa que só a perícia vai poder constatar a origem do disparo. O policial militar que estava com ele durante a ação também foi ouvido pela delegada Andreia Cardoso. Os dois foram liberados após serem ouvidos.

Durante as investigações, a delegada titular da Delegacia do Município de Amargosa, na Bahia, Glória Isabel Santos Ramos, foi exonerada do cargo, conforme publicação do Diário Oficial da Bahia de sábado (19). Segundo o documento, o lugar dela será ocupado pelo delegado Adilson Bezerra de Freitas, que estava na cidade de Castro Alves, Recôncavo Baiano. (G1/ Foto: Amargosa News)

O coordenador afirma que a exoneração foi motivada para “preservar a delegada e a instituição”. Ainda não foi definido o novo posto da ex-delegada de Amargosa.