Quando a crise aperta e ninguém consegue mais explicar tantos resultados ruins, o divã pode ser a solução. Quase abraçados na luta contra o rebaixamento, os jogadores da dupla Ba-Vi admitem que o lado psicológico é um dos fatores para a fase atual no Brasileirão, além da pressão de retomar o caminho do triunfo. A última vez que ambos venceram foi na terceira rodada do Brasileirão. Coincidência?
Em tempos de 'apagão' na Seleção Brasileira, o lado psicológico vem sendo cada vez mais citado como motivo para um mau resultado – no caso do Bahia, oito seguidos. No campo emocional, o Tricolor contará com um reforço um tanto inesperado para aumentar a auto-estima do grupo.
Adailton foi contratado visando reforçar a defesa. Mas, com sua fala elaborada e jeito calmo, o zagueiro de 31 anos vem revelando uma nova vocação: a de psicólogo do grupo.
Ele não nega o perfil. “Sempre que se apresentar uma chance de conversar algo, principalmente com jogadores mais jovens, eu não vou me omitir”, admitiu. “Ser profissional não significa apenas chutar uma bola. Se você teve uma vivência um pouco maior e pode colaborar numa área, por mais que não seja sua especialidade, você tem que fazê-lo, porque o bem de um significa o bem de todo mundo”, completou.
A ajuda chega em boa hora. Demerson, que deixou o campo contra o Atlético-MG com dores na coxa, deve ceder o lugar para Adailton amanhã, contra o Corinthians, pela Copa do Brasil. Justamente o torneio em que ele viveu um dos melhores momentos na sua carreira, pelo Vitória, em 2004, quando chegou às semifinais.
Por ser uma competição em outro formato o zagueiro-psicólogo acredita que um triunfo pode ajudar na auto-estima do grupo. “Se ficar batendo na tecla de que não estamos num bom momento, isso acabará entrando na cabeça do jogador. Se o resultado aparecer pela Copa, vai melhorar a nossa confiança, e daí em diante”, filosofou.
Leão pressionado
Um ano de fracassos. Sem título no Nordestão, tampouco no Baiano, o Leão segue a sina de decepções na Série A. A sequência de oito jogos sem vencer tem sido uma dor de cabeça para os atletas, que admitem pressão psicológica sobre o grupo. Para o zagueiro Alemão, a responsabilidade precisa ser assimilada pelos jogadores, que não podem se abater, mesmo com a situação crítica.
“Acho que, no atual momento, o fator psicológico está atrapalhando, sim. A pressão é muito grande por estarmos há vários jogos sem vencer e na zona de rebaixamento. Ninguém fica feliz com isso. Porém, cada um precisa assumir a sua parcela de culpa, procurar melhorar e, principalmente, ter personalidade pra jogar e superar este momento. Só assim sairemos dessa fase”, disse ele. O zagueiro também lembra que o time está evoluindo e pode melhorar ainda mais com o retorno de Escudero, além das estreias dos gringos Beltrán e Luis Aguiar.



