Falso médico suspeito de ter feito aborto em Jandira se entrega

O falso médico Carlos Augusto Graça de Oliveira, suspeito de ter feito o aborto na auxiliar administrativa Jandira Magdalena dos Santos, 27,se entregou no final da manhã desta quarta-feira (8) na 35ª Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro.

O suspeito já havia se entregado à polícia na quarta-feira passada (1º), mas foi liberado por conta da Lei Eleitoral. A medida revoltou a mãe de Jandira, Maria Angela. “A pessoa que cometeu um assassinato, que já é procurada, considerada fugitiva pela Justiça é solta por causa de uma lei. É um absurdo, eu nem sabia que existia esta lei”, disse em entrevista ao G1 Santos e Região.

Apesar de outras pessoas envolvidas com a morte de Jandira já terem sido presas, a exemplo da motorista Vanuza Vais Baldacine, suspeita de levar a mulher até a clínica de aborto, a polícia afirma que ainda há pessoas a serem presas e garante que o caso está sendo finalizado.

Também nesta quarta (8), o Portal dos Procurados do Disque-Denúncia lançou recompensa de R$ 1 mil por informações que levem à captura de Jadir Messias da Silva e Débora Dias Ferreira, suspeitos de envolvimento na quadrilha de abortos que matou Jandira.

Carlos Augusto Graça de Oliveira vai responder, assim como os outros quatro suspeitos, por aborto, formação de quadrilha, homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

Desaparecimento

Em troca de mensagens com o ex-marido, Leandro Brito Reis, Jandira revelou que estava com “vergonha” e que não tinha ninguém para acompanhá-la até o local, de onde iria até uma clínica clandestina realizar um aborto.

Depois da separação, os dois estavam se reaproximando e ensaiando uma reconciliação, mas Leandro diz que a notícia da gravidez dela o afastou um pouco. “A gente estava voltando a ter mais contato, tentando reatar, mas com a notícia eu procurei me afastar. Nos últimos tempos a nossa relação estava boa, ela me procurava”, diz.

Na mensagens, Jandira também conta que mentiu antes para ele dizendo que já havia feito o procedimento para saber se ele se afastaria dela. Ela então disse que havia marcado o procedimento, que custaria R$ 4.500, e que não tinha ninguém para levá-la até o local. 

Leandro disse que a acompanhou até uma rodoviária, local de encontro em que um Gol branco, de quatro portas, que era conduzido por uma mulher de cabelos loiros, buscaria outras mulheres. Desde a data, Jandira não foi mais vista.

“Amor, mandaram desligar o telefone, tô em pânico, ore por mim!”, escreveu a jovem já na clínicae pouco antes de desaparecer.