O atual secretário da Fazendo do governo Jaques Wagner, Manoel Vitório, é o coordenador da equipe de transição do governador eleito Rui Costa, do PT. A informação foi dada com exclusividade por Rui Costa ao apresentador Casemiro Neto em entrevista no programa Que Venha o Povo desta terça-feira (28). Segundo Costa, hoje à tarde ele apresentará ao governador Jaques Wagner a lista com os nomes dos membros da equipe técnica. Esta equipe deverá formular uma série de modelos administrativos a serem avaliados para impantação no novo governo estadual, a partir de janeiro de 2015. Vou alterar a estrutura de secretarias e órgãos. Vamos diminuir o número de secretarias. Após aprovarmos o modelo administrativo que será implantado, o governador enviará o projeto para a Assembléia Legislativa para que ele já possa ser colocado em prática em janeiro. Queremos buscar mais eficiência e diminuir os custos com burocracia, para investir mais no social, nos serviços de saúde”. O governador eleito não divulgou quais nomes tem em mente para as secretarias estaduais, mas disse que há nomes que podem ser mantidos. “Não vejo a retirada de algumas pessoas como uma coisa negativa, mas como uma forma de motivação para a nova administração”, disse Costa. O novo governador da Bahia esteve ontem em Brasília para parabenizar a presidente reeleita Dilma Rousseff. “Fui com minha esposa Aline, além do governador Wagner e de sua esposa Fátima. Fui levar o carinho e agradecimento dos baianos e a expectativa do muito que podemos fazer. Na Bahia Dilma foi eleita com 70,2% dos votos”. Casemiro Neto perguntou qual foi o sentimento de expectativa no momento da eleição para a presidência no segundo turno. “Pra mim foi mais tenso do que no primeiro turno, quando fui eleito, porque fiquei com aquele receio de ter que governar contra a maré”, contou Costa. Corrupção na Petrobras Em seguida, Casemiro perguntou qual a opinião do governador eleito sobre as denúncias de um suposto esquema de corrupção dentro da Petrobras, lembrando que a presidente Dilma Rousseff disse que não deixará “pedra sobre pedra” na investigação do processo. “Eu acho que toda denúncia tem que ser apurada. A reforma política é necessária para estancar o cordão umbilical da corrupção, que é o financiamento privado de campanhas políticas. Também precisamos regular o que pode ser feito no período de campanha. Nestas eleições eu fui vítima de uma matéria da revista Veja, assim como a presidente Dilma foi vítima de uma publicação desta mesma revista. Eles chegaram a antecipar a publicação para quinta-feira e realizaram peças de publicidade em rádios e outdoors. Ou seja, a Veja virou um panfleto político com o sentido claro de beneficiar um determinado grupo político. A Justiça determinou que todas as peças de propaganda fossem retiradas. Eu sou a favor da liberdade de expressão e de imprensa, agora um veículo não pode ser um panfleto político. Ele tem que informar para que o eleitor possa fazer sua escolha sem ser induzido por notícias falsas”, defendeu Rui Costa. Onda anti-PT Casemiro Neto continuou a entrevista questionando Costa sobre a onda anti-PT que atingiu parte do país, assim como a série de manifestações contra os nordestinos. Rui disse acreditar que o que está acontecendo não é apenas uma “raiva contra o PT”. “Nós estamos vivendo um momento de transição, de trasnformação. Vi pessoas com raiva porque o porteiro comprou um carro. Algumas pessoas se inquietam com isso. Na Europa, por exemplo, não temos mais o serviço doméstico, cada pessoa é responsável pelos afazeres de suas casas. No aeroporto de Brasília, vi uma mulher reclamando: 'Está cada vez mais difícil conseguir uma empregada para trabalhar aos finais de semana. Agora querem folgar domingo, querem estudar'. Ela dizia isso como se fosse um crime, não fosse um direito. E é este momento que o país vive, de uma profunda transformação social. Não é uma classe, são pessoas que se incomodam. Isso vai passar com o tempo, é um processo irreversivel que vai se consolidar com mais igualdade social e regional. O problema com o norte/nordeste é que as regiões se desenvolveram muito esses anos e vão acabar chegando aos mesmos indicadores do sul/sudeste”, concluiu. Cenário Político na Bahia Para finalizar, Casemiro questionou Rui Costa sobre qual avaliação ele faz sobre o cenário político local e a relação com nprefeitos de oposição, como ACM Neto. “Terei uma boa relação administrativa com todos os prefeitos. Fui recebido com carinho por todo o povo da Bahia e vou retribuir com carinho a todos, independente da cidade. Espero uma relação profissional. A expectativa é de que os prefeitos coloquem o interesse da população em primeiro plano. Espero contar com a mesma intenção por parte deles”. Rui Costa disse ainda que, após ter sido eleito, não recebeu uma ligação de ACM Neto. ” Eu ainda não tive uma reunião com ele e esperava receber uma ligação após minha vitória nas urnas. Até Aécio ligou pra Dilma. Mas vou trabalhar com profissionalismo. A gente chega lá. A disputa política é uma coisa, mas a relação entre as pessoas é outra”. (Aratu)



