'Xixi de jacaré'. Foi assim que Cora, personagem de Marjorie Estiano em 'Império', explicou seu surpreendente rejuvenescimento – antes a beata era interpretada por Drica Moraes. Ao ouvir o esclarecimento muita gente riu, mas o que pode parecer uma brincadeira de novela é levado a sério por alguns especialistas em estética. A urinoterapia ou uroterapia é uma terapia alternativa que propõe como tratamento o uso da urina humana para fins medicinais e cosméticos. “A urina libera todos os componentes em excesso que o corpo não absorveu, a exemplo de vitaminas e proteínas, e tem mais de 200 deles que são favoráveis a renovação celular e regeneração dos tecidos”, afirma Maria Aparecida dos Reis, terapeuta de medicina complementar há 25 anos. Ela defende o uso do líquido em tratamentos estéticos: “Várias pessoas utilizam a urina para lavar o rosto pela manhã e vejo que elas têm uma pele fantástica, sem rugas e sem escamação”.Mas essa técnica estética não é aprovada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). A dermatologista Vitoria Regina Rego, membro da SBD e chefe do serviço de dermatologia da UFBA, explica que a pele é um órgão bastante sensível e que aplicar qualquer produto que não seja reconhecido pela Anvisa é extremamente perigoso. “A urina humana tem o PH ácido e pode agir de maneira irritante”, ressalta.
'Prós e contras'Segundo a terapeuta, a melhor urina para fins estéticos é a da manhã. “É indicado descartar o primeiro jato e colher o restante. Para acne, por exemplo, uma boa dica é misturar a urina com argila”, afirma. Já a dermatologista contesta essa ideia. “A maior parte das pessoas pode não ter nenhum problema, mas se você for alérgico a algum componente e estiver com a pele sensível isso pode gerar consequências graves”, atesta Vitória Regina, que cita a planta aroeira como outro bom exemplo. “Para uns pode ser bom, mas para outros, ruim”, complementa.A médica explica que é importante ressaltar que produtos 'naturais' não são sinônimos de produtos 'seguros', principalmente na área da estética: “Não estou invalidando a medicina popular, mas afirmo que as pessoas devem tomar cuidado com o que escolhem para aplicar na pele”. Ela afirma ainda que atualmente a indústria cosmética possui um arsenal de produtos com eficácia comprovada e com testes reconhecidos. “Já que avançamos tanto nessa área, para que fazer uso de uma técnica que não tem nenhuma comprovação científica?”, conclui.
Fonte: iBahia


