A Polícia Federal (PF) deflagrou na tarde desta terça-feira (09) uma operação contra uma quadrilha de advogados especializada em negociações de decisões judiciais de magistrados do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). De acordo com a PF, os investigados poderão responder pelos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de capitais.

A investigação, que se origina da Operação Faroeste, revelou a existência de várias organizações criminosas atuando no Tribunal de Justiça da Bahia, compostas por magistrados, servidores, advogados e empresários. A ação atual faz parte das fases III e IV da Operação Patronos, realizada em conjunto com o Ministério Público Federal.
Segundo a Polícia Federal, 28 agentes cumprem seis mandados de busca e apreensão em Salvador, Mata de São João (região metropolitana) e Serrinha. Nas fases I e II da Operação Patronos, deflagradas em setembro de 2023 e no dia 1º de julho deste ano, também foram cumpridos mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares de constrição patrimonial.
Durante a fase I, foram bloqueados aproximadamente R$ 37 milhões em bens e valores dos investigados, devido a suspeitas de origem ilícita, e suspenso o levantamento de cerca de R$ 7 milhões vinculados aos processos investigados.
Operação Faroeste
A Operação Faroeste investiga um esquema de venda de decisões judiciais para grilagem de terras no oeste da Bahia. Iniciada no final de 2019, a operação já resultou na prisão de quatro advogados, cumprimento de 40 mandados de busca e apreensão, e afastamento de seis magistrados, incluindo o então presidente do TJ-BA.
As investigações apontam que juízes e desembargadores da Bahia, com a participação de membros de outros poderes, operavam a venda de decisões judiciais para legalização de terras griladas. O esquema contava com laranjas e empresas para dissimular os benefícios ilícitos, movimentando cifras bilionárias e envolvendo uma área superior a 360 mil hectares.
A Polícia Federal informa que o grupo é suspeito de corrupção ativa e passiva, lavagem de ativos, evasão de divisas, organização criminosa e tráfico de influência.




