Nesta terça-feira (9), teve início a desapropriação do prédio irregular construído ao lado do Terreiro Casa Branca, no Engenho Velho da Federação, em Salvador.

A construção, que não possui alvará, projeto arquitetônico ou autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), foi alvo de denúncias devido aos riscos que representa para o terreiro.
O Terreiro Casa Branca, fundado por volta de 1830, é o primeiro templo de matriz africana a ser reconhecido e tombado como Patrimônio Histórico do Brasil.
Para proteger esse importante espaço religioso, a Prefeitura de Salvador, amparada pelo decreto municipal nº 38.456/2024, iniciou a desapropriação.
O decreto declarou a área de utilidade pública e incluiu o prédio e o terreno ao patrimônio do terreiro.
A ação foi executada por uma força-tarefa que envolveu diversas secretarias municipais, como Desenvolvimento Urbano (Sedur), Cultura e Turismo (Secult), Fazenda (Sefaz), Defesa Civil de Salvador (Codesal), Guarda Civil Municipal (GCM) e Procuradoria Geral do Município (PGMS).
A Polícia Militar também participou, garantindo a segurança da operação.
Após a desapropriação, o prédio será interditado e passará por avaliação antes de ser agendado para demolição.
No local, a Prefeitura planeja construir um memorial.
História do Terreiro Casa Branca
Fundado por três mulheres africanas da nação nagô, o Terreiro Casa Branca, ou Ilê Axé Iyá Nassô Oká, é um dos mais antigos e respeitados templos de matriz africana do Brasil.
Originalmente estabelecido atrás da Igreja da Barroquinha, o terreiro foi transferido para o Engenho Velho da Federação devido à perseguição religiosa no século XIX.
Em 1984, o Iphan tombou o terreiro, e em 1986, ele se tornou o primeiro templo não católico a receber o título de Patrimônio Histórico do Brasil.




