Denotando apoio às ações do Senado, Eduardo Cunha (PMDB), presidente da Câmara, disse que deve levar ao plenário da Casa as mudanças na participação da Petrobras na exploração do pré-sal ainda no começo deste semestre. Em entrevista à Reuters, Cunha disse que é a favor de derrubar a obrigatoriedade de a estatal brasileira ser a operadora única do pré-sal. Além disso, querem reduzir a participação mínima de 30% nos leilões, com a justificativa de que a Petrobras enfrenta uma crise em meio à Lava Jato.
O projeto 131/15, do Senado, é de autorida do ex-governador José Serra (PSDB). O tucano tem defendido que o pré-sal seja aberto ao capital estrangeiro, para não depender das limitações da Petrobras. Nesta terça-feira (30), a maioria dos senadores pediram mais tempo para analisar a proposta. Até então, a Casa vinha discutindo colocar o projeto em votação com urgência.
De acordo com informações da Agência Senado, o senador Lindbergh Farias (PT) disse que a obrigatoriedade de participação de 30% da Petrobras nos consórcios de exploração do pré-sal não é um ônus para a companhia. Segundo ele, estudos apontam para a existência de 100 bilhões de barris de petróleo no pré-sal, o que pode gerar entre US$ 6,2 trilhões e US$ 30 trilhões, dependendo da variação do preço do produto no mercado internacional.
Na semana em que Cunha disse à Reuters que é a favor de reduzir a participação da Petrobras no pré-sal, as ações da estatal ampliaram a alta. “Por volta das 13h, as preferenciais subiam 4,1 por cento, enquanto as ordinárias avançavam 4,5 por cento no mesmo horário”, escreveu a agência de notícias.
Um dos autores da lei sobre exploração do petróleo quando era ministro de Minas e Energia e presidente do Conselho Nacional de Política Energética, Edison Lobão (PMDB-MA) rebateu a alegação de que a Petrobras não tem recursos para explorar o pré-sal. Segundo o senador, os recursos necessários não são tão elevados assim, já que a empresa vai participar com apenas 30% das despesas e que as despesas serão ressarcidas a partir do momento em que o petróleo for explorado.
A senadora Lúcia Vânia (sem partido) defendeu a aprovação do projeto de Serra. Ela disse que a exploração do pré-sal demandará centenas de bilhões de dólares, quantia que, afirmou, está muito além da capacidade financeira da Petrobras. A redução de 37% nos investimentos e o plano de venda de ativos num total de US$ 14 bilhões, anunciado pela estatal, são, segundo a senadora, a prova de que a empresa não tem o fôlego necessário para explorar o pré-sal. Ela disse ainda que a estatal é a petroleira mais endividada do mundo, e advertiu que o Brasil não pode limitar o desenvolvimento energético nas mãos de uma única empresa.
“Se a iniciativa do senador José Serra não é a melhor alternativa, que então ofereçam outra para este momento de crise que vivemos”, disparou Lúcia Vânia.
Fonte: GGN



