Rui exonera PM que matou cachorro, mas agressores de jornalista estão nas ruas

Dois pesos, duas medidas. Um dia após serem divulgadas imagens de um policial militar executando um cachorro a tiros em Teixeira de Freitas, o governador Rui Costa pediu imediatamente a expulsão do mau profissional. Em entrevista a Rádio Metrópole, Rui cravou: “A ação mostra absoluto desequilíbrio. Uma pessoa daquela não reúne as condições de estar vestindo uma farda e portar arma. Imagine um policial daquele em contato com a população??.

Não foi preciso imaginar muito. Pouco mais de um mês depois disso, o jornalista Marivaldo Filho foi torturado por quatro policiais da 17ª CIPM, em Salvador. Foi esmurrado dezenas de vezes na cabeça, depois, sem se darem por satisfeito, os policiais deram-lhe uma coronhada. Já sem condições de raciocinar, o jornalista acredita ter sido agredido com uma pedra. Talvez sim, talvez não. Pode ser sido uma coronhada ou uma fantada.

Para agravar ainda mais a situação, os quatro bandidos fardados o algemaram e o colocaram dentro de uma viatura. Mesmo com a cabeça sangrando, eles deram voltas e voltas até chegarem à UPA de Roma, onde a vítima levou oito pontos sem que as algemas fossem retiradas de seus pulsos.

Por meio de suas redes sociais, Rui Costa pediu apuração. ?Não permitiremos em nosso estado intimidações, constrangimento e nenhum tipo de violência contra o profissional ou contra o cidadão que denuncie ato ilícito?, diz trecho da sua postagem. Nada de pedido de expulsão dos quatro envolvidos na brutal e covarde agressão.

Enquanto a morte de um cachorro foi prontamente respondida, a agressão que poderia ter terminado com a morte de Marivaldo Filho, o corregedor da PM, coronel Andrade Neto diz que os PMs poderiam, caso seja comprovado o crime, ser afastado por 60 dias. “Caso seja constatado o crime os policiais ficarão afastados por 60 dias após a instauração de um processo disciplinar?, disse.