A demolição do prédio construído irregularmente ao lado do Terreiro da Casa Branca, o mais antigo templo de Candomblé do Brasil, já teve cerca de 12% de sua estrutura removida.

As obras, iniciadas em 5 de agosto, estão sendo realizadas manualmente para evitar riscos de desmoronamento que possam afetar os imóveis vizinhos.
Segundo Antônio Lins, diretor de Fiscalização da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur), a previsão é que a demolição seja concluída em outubro.
Até o momento, o último andar do prédio, que contava com cinco pavimentos, foi completamente demolido. Conforme a equipe avança para os andares inferiores, o processo tende a se tornar mais rápido e seguro, devido à redução do peso da estrutura.
Durante as obras, os moradores das proximidades receberam o direito ao aluguel social e o Terreiro da Casa Branca foi protegido com telas, enquanto a praça da Casa de Omolu, utilizada para rituais sagrados, permanece interditada.
Isaura Genoveva, equede e advogada do terreiro, expressou alívio com a demolição, destacando que a comunidade agora se sente segura, livre dos riscos de desabamento.
Após a conclusão das obras, a área será revitalizada pela prefeitura, que planeja construir um memorial em homenagem à Casa Branca, segundo o secretário de Cultura e Turismo, Pedro Tourinho.
A construção do edifício, que foi alvo de denúncias desde 2019, ocorreu sem alvará, projeto arquitetônico ou autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Em 2020, o Ministério Público abriu um inquérito civil para investigar o caso, culminando na mobilização que levou à demolição do prédio e à proteção do território sagrado.
O Terreiro da Casa Branca, fundado no início do século XIX e tombado pelo Iphan em 1984, é um marco histórico e cultural de grande importância para o Brasil, simbolizando a resistência e a preservação das tradições do Candomblé.




