700 municípios descumpriram cota de gênero nas eleições de 2024

Em 2020, foram 1.304 cidades com infrações

Um levantamento do Observatório Nacional da Mulher na Política, da Câmara dos Deputados, apontou que a cota de 30% para candidaturas femininas não foi cumprida em 700 dos 5.569 municípios brasileiros durante o primeiro turno das eleições municipais, realizado no último dia 6 de outubro.

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O estudo, divulgado nesta quinta-feira (10), baseou-se em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e evidenciou mais uma vez o descumprimento da regra pelos partidos políticos.

Estabelecido em 2009, o sistema de cotas exige que 30% das candidaturas de cada partido sejam destinadas a mulheres. Além disso, as candidatas têm direito à mesma porcentagem do tempo de propaganda eleitoral no rádio e na TV, e a uma divisão igualitária dos recursos do fundo eleitoral.

No entanto, segundo o observatório, a cota nunca foi plenamente respeitada pelos partidos, que frequentemente recorrem a manobras para fraudar o sistema.

Apesar desse cenário, a pesquisa revelou uma diminuição no número de municípios que não cumpriram a cota em comparação com as eleições anteriores. Em 2020, foram 1.304 cidades com infrações, o que representa um avanço no cumprimento da legislação.

Em vários casos, o TSE cassou políticos eleitos por partidos que desrespeitaram a cota, através da criação de candidaturas fictícias. Nessas fraudes, as candidatas registradas obtêm poucos ou nenhum voto e não realizam campanhas de fato, apenas para que o partido possa inscrever mais homens no pleito.

A questão ganhou ainda mais destaque em agosto deste ano, quando o Congresso aprovou a PEC da Anistia. Essa proposta de emenda constitucional buscou perdoar as multas aplicadas aos partidos pelo não cumprimento da cota de gênero nas eleições anteriores, gerando críticas sobre a efetividade das políticas de inclusão feminina no cenário eleitoral.