O médico ginecologista Walter Vieira, sócio do Laboratório PCS Saleme, foi preso na manhã desta segunda-feira (14) durante uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro. A ação investiga a emissão de supostos laudos falsos que resultaram no transplante de órgãos infectados com HIV para seis pacientes. Também foi preso o responsável técnico pelos laudos.

Dois outros envolvidos, o técnico de laboratório Cleber de Oliveira Santos e a técnica em patologia clínica Jacqueline Iris Bacellar de Assis, estão foragidos. A operação cumpriu 11 mandados de busca e apreensão e quatro de prisão nas cidades do Rio de Janeiro e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, visando identificar os responsáveis pelos documentos fraudulentos.
Em nota, a defesa de Walter e Mateus Vieira, outro sócio da instituição, repudiou a “suposta existência de um esquema criminoso para forjar laudos dentro do laboratório, uma empresa que atua no mercado há mais de 50 anos”, afirmando que ambos prestarão esclarecimentos à Justiça.
“Determinei imediatamente a instauração do inquérito, atendendo à determinação do governador para que os fatos fossem investigados com maior rigor e rapidez. Conseguimos elementos para representar pelas cautelares junto à Justiça em tempo recorde, para que os culpados sejam punidos com a maior celeridade”, afirmou o secretário de Estado da Polícia Civil, Felipe Curi.
Walter Sales, que também é um dos sócios, foi afastado do cargo de presidente do Comitê Gestor de Vigilância e Análise do Óbito Materno Infantil e Fetal do município de Nova Iguaçu. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, ele exercia a função de forma não remunerada.
Mateus Vieira, primo do ex-secretário estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Dr. Luizinho, atual líder do PP na Câmara dos Deputados, foi mencionado nas investigações. Em nota, o deputado afirmou que espera que o caso seja investigado rapidamente e que os culpados sejam punidos “exemplarmente”.
O Laboratório PCS Saleme divulgou que resultados preliminares de uma investigação interna indicam que um erro humano levou à infecção por HIV de seis pacientes que receberam transplantes. A Secretaria de Saúde do Estado do Rio confirmou que um dos transplantados faleceu poucos dias após a cirurgia, mas não há evidências de que a morte tenha relação com a contaminação.
Os resultados preliminares da sindicância interna apontam que houve indícios de erro na transcrição dos resultados de dois testes de HIV, resultando na infecção dos receptores. A empresa afirmou que está à disposição das autoridades.
Durante o período em que prestou serviços para o sistema de saúde estadual, o laboratório realizou 286 testes para transplantes. Após a divulgação da contaminação, a secretaria de saúde do estado determinou a reavaliação das amostras de sangue.
Conforme noticiado pela Folha de S.Paulo, um dos laudos que atestou negativo para HIV no caso dos pacientes foi assinado por Jacqueline Iris Bacellar de Assis, mas abaixo de seu nome constava o registro de uma biomédica com o registro suspenso. A biomédica declarou que nunca trabalhou no Rio de Janeiro e pretende registrar um boletim de ocorrência sobre o uso indevido do seu registro.




