Pesquisa revela que crianças e adolescentes acessam redes sociais diversas vezes ao dia; 24% de jovens tentam reduzir uso, mas não conseguem

A maioria das crianças e adolescentes brasileiros utiliza redes sociais várias vezes ao dia, e esse uso excessivo chega a quase 80%, dependendo da faixa etária. A nova versão da pesquisa TIC Kids Online Brasil, referência em comportamento digital na infância e adolescência, foi apresentada nesta quarta-feira (23) durante o 9º Simpósio de Crianças e Adolescentes na Internet, em São Paulo.

Conduzida pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), a pesquisa apontou que 24% das crianças e adolescentes tentam passar menos tempo na internet, mas não conseguem. Além disso, 22% afirmam se pegar navegando sem estar realmente interessados, e o mesmo percentual diz que passam menos tempo com a família, amigos ou fazendo lição de casa por conta do tempo online.

O estudo entrevistou, entre março e agosto deste ano, 2.424 crianças e adolescentes de 9 a 17 anos, e teve a participação de pais ou responsáveis. Segundo o levantamento, 93% dessa população é usuária de internet, e 81% possuem um celular. Esta foi a primeira vez que a pesquisa trouxe um indicador específico de frequência de uso, com 53% relatando o uso do WhatsApp várias vezes ao dia e, somando o uso “diário ou quase diário”, o número chega a 71%. Plataformas como YouTube (66%), Instagram (60%) e TikTok (50%) também apresentam uso elevado.

Entre os mais jovens, de 9 a 10 anos, o uso frequente do YouTube chega a 70%, enquanto o Instagram é altamente utilizado por 78% dos que têm 13 a 14 anos e 81% entre 15 e 17 anos. Para os mais velhos, o WhatsApp atinge 91% de uso frequente. A pesquisa também destacou o crescimento do uso do celular para acessar a internet, que passou de 85% em 2015 para 98% em 2023, enquanto o uso de computadores caiu de 64% para 37%.

Esses resultados surgem em um momento de debates sobre a proibição do uso de smartphones nas escolas, devido aos impactos na saúde mental e física dos jovens. A pesquisa Datafolha aponta que a maioria dos pais apoia o banimento, em meio ao crescimento de apostas online entre crianças, incentivadas por influenciadores mirins.