O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu, nesta quarta-feira (27), às declarações de um deputado francês que comparou a carne brasileira a “lixo”. Durante a abertura do Encontro Nacional da Indústria, em Brasília, Lula defendeu o crescimento do agronegócio brasileiro, destacando que pretende avançar no acordo entre Mercosul e União Europeia até o final do ano, mesmo diante da oposição da França.

“Eu quero que o agronegócio continue crescendo e causando raiva num deputado francês que hoje achincalhou os produtos brasileiros, porque vamos fazer o acordo do Mercosul nem tanto pela questão dinheiro. Vamos fazer porque eu estou há 22 anos nisso”, disse o presidente.
Ele acrescentou que a França não terá poder para barrar a assinatura: “Quem apita é a Comissão Europeia. Pretendo assinar esse acordo neste ano ainda.”
A declaração ocorre em meio à decisão da rede de supermercados Carrefour de interromper a compra de carnes brasileiras. Na terça-feira (26), durante uma sessão da Assembleia Nacional Francesa, o deputado Vincent Trébuchet (UDR) criticou produtos brasileiros, afirmando que “Nossos agricultores não querem morrer e nossos pratos não são latas de lixo”.
Segundo o Jornal Folha de São Paulo, Antoine Vermorel-Marques, do partido Republicanos, também fez duras críticas ao modelo de produção bovina no Brasil, associando-o à destruição da floresta amazônica e a práticas prejudiciais à saúde, ele comparou a tradicional vaca charolesa francesa, “rústica e maternal”, com a mesma raça bovina criada na América do Sul.
“Aglutinada em fazendas de 10 mil cabeças, engordada, condenada aos ferros, comendo soja transgênica, em um hectare onde antes havia a floresta amazônica, abatida sem dó nem piedade e empacotada em um cargueiro refrigerado. Seu destino? Nossas mesas, nossas cantinas, vendida a metade do preço, financiada ao custo da nossa saúde, alimentada com um pesticida proibido na Europa, que fragiliza a gravidez e ataca a saúde dos recém-nascidos”, disse Vermorel-Marques.
Relações com os Estados Unidos e críticas à taxa de juros
Lula também mencionou as relações econômicas do Brasil com os Estados Unidos, afirmando que buscará pragmatismo, independentemente de quem estiver na presidência americana.
“Nós é que temos que acreditar em nós. Eu quero fazer tudo isso sem brigar com os Estados Unidos. Eu não quero saber se o presidente é o Trump, Biden, Obama. Eu quero saber o seguinte, o Brasil tem interesses soberanos, eles têm interesses soberanos e os nossos interesses têm que convergir. Naquilo que houver tiver diferença, a gente tranca a cara e não faz negócio”, declarou.
O presidente destacou que investimentos americanos no Brasil diminuíram e só voltaram a crescer com a entrada da China nesse mercado. Além disso, Lula voltou a criticar a taxa básica de juros brasileira, argumentando que, com inflação controlada e economia em crescimento, não há justificativa para os atuais níveis.
“Qual é a explicação de a taxa de juros estar do jeito que está hoje? Estamos com a inflação controlada, a economia está crescendo, [estamos com] o menor nível de desemprego desde 2012”, acrescentou.




