Zanin aponta declarações de “comércio de decisões” no STJ e determina prisões

Zanin determinou a prisão preventiva de Andreson de Oliveira Gonçalves, apontado como líder do esquema

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), acordou graves de um esquema que ele classificou como um “comércio de decisões judiciais” no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A análise é parte de sua primeira decisão relacionada à investigação conduzida pela Polícia Federal sobre o caso.

Imagem: Nelson Jr./SCO/STF

“A gravidade concreta dos casos narrados mostra-se até aqui manifestada, exigindo resposta imediata desta Suprema Corte”, declarou Zanin em sua decisão.

A investigação chegou ao STF após um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicando o possível envolvimento de uma autoridade com foro privilegiado. O nome dessa pessoa, no entanto, não foi incluído no despacho do ministro.

Zanin determinou a prisão preventiva de Andreson de Oliveira Gonçalves, apontado como líder do esquema, e autorizou buscas e apreensões contra três assessores de ministros do STJ. A operação foi deflagrada na terça-feira (26).

Andreson, que se apresentou como advogado em Brasília, não possuía registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Segundo o pesquisador, ele mantinha proximidade com magistrados e servidores, tinha acesso antecipado a minutos de decisões e alegava capacidade de influenciá-los.

A Polícia Federal acordou possíveis irregularidades em pelo menos 12 processos no STJ, envolvendo obtenção de minutas antecipadas e conversas sobre pagamentos ilícitos a servidores do tribunal. O caso está sendo tratado como de extrema gravidade pelo STF.