Meta não superada, candidatos ao pódio que decepcionaram e o nadador mais importante do país em má fase. É um balanço possível da natação brasileira no Mundial de Kazan. Novos atletas chegando ao pódio e resultados inéditos. Também pode ser assim a avaliação do desempenho dos brasileiros na piscina russa.
A meta de CBDA (Confederação Brasileira Desportos Aquaticos) era chegar a 12 finais, mas o país chegou dez vezes à disputa do pódio. Em Xangai-2011, o Brasil foi a seis finais; em Roma-2009, no auge da era dos trajes que ajudavam na flutuação, foram 18.
A campanha brasileira teve algumas decepções, como Felipe França, fora da final nos 100 m peito e quarto nos 50 m peito, e Leonardo de Deus, que também não ficou entre os oito mais velozes no 200 m borboleta.
Cesar Cielo, por sua vez, confirmou a má temporada. Nos 50 m borboleta, prova em que era o atual bicampeão mundial, terminou na sexta colocação. Com dor nos ombros, ficou fora do revezamento 4 x 100 m livre (o Brasil foi quarto colocado) e abandonou a competição antes de disputar os 50 m livre ? tentaria o tetracampeonato mundial.
Cielo tem um ano para, recuperado da lesão, colocar a cabeça e os treinos em ordem. Na atual temporada, não conseguiu atingir seus resultados e ainda assistiu à exuberante fase do francês Florent Manaudou, campeão dos 50 m livre em Kazan.
As decepções no Mundial de natação foram compensadas por alguns resultados importantes. Etiene Medeiros conquistou a primeira medalha para mulheres em Campeonatos Mundiais. A prata veio nos 50 m costas, prova não olímpica. A meta da atleta agora é conseguir quebrar esse tabu também nos 100 m costas ? em Kazan, não chegou à final.
Bruno Fratus ficou com o bronze nos 50 m livre, muito perto do tempo da medalha de prata. Chegar em Manaudou é complicado, mas Fratus já se credencia como candidato ao pódio nos Jogos Olímpicos.
Com Cielo mal, Nicholas Santos foi o destaque brasileiro dos 50 m borboleta e ficou atrás apenas de Manaudou, o campeão. Thiago Pereira, que chegou ao Mundial depois da maratona de provas no Pan-Americano, tinha uma bala na agulha e não desperdiçou o tiro. Nos 200 m medley, conquistou a medalha de prata, atrás apenas do norte-americano Ryan Lochte, principal nadador da prova atualmente ? no último dia, Thiago saiu dos 400 m medley. Ainda nos 200 m medley, Henrique Rodrigues chegou a sua primeira final em Mundiais e ficou em sexto.
O nome de 2016 na natação?
O Mundial de natação apresentou resultados importantes: Florent Manaudou se firmou como o homem mais rápido das piscinas (50 m borboleta e 50 m livre). A norte-americana Kate Ledecky assombrou o mundo com quatro ouros em provas individuais (200 m, 400 m, 800 m e 1500 m livre). A sueca Sarah Sjostrom venceu os 50 m e 100 m borboleta e ainda ganhou a prata nos 100 m livre.
Mas a grande notícia da natação desse ano não saiu de Kazan, mas do Campeonato Americano, disputado pelos atletas que não conseguiram se classificar para o Mundial. Foi em San Antonio, no Texas, que Michael Phelps mostrou estar de volta à boa forma depois de uma suspensão por ter sido flagrado dirigindo embriagado.
Phelps venceu os 200 m borboleta com 1min52s94, tempo mais rápido da era pós-trajes e que seria suficiente para lhe dar o ouro em Kazan. Nos 100 m borboleta, também teria sido campeão mundial com os 50s45 que marcou na competição nacional. E repetiu o desempenho assombroso nos 200 m medley: com 1min54s75, oitava melhor marca da história, teria ficado com o ouro na Rússia.
O técnico Bob Bowman diz que Phelps, aos 30 anos, está em forma e dedicado aos treinos como nunca. Seus tempos estão mostrando isso. Se mantiver o fôlego, o norte-americano vai conseguir sem problemas seu passaporte para a Rio-2016.
Fonte: Carta Capital


