Alexandre de Moraes retira sigilo da delação de Mauro Cid sobre Bolsonaro e Braga Netto

Ministro do STF torna público material que embasou denúncia da PGR contra ex-presidente e mais 33 pessoas.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou o sigilo dos áudios e vídeos da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL).

Foto: Delação de Cid

A medida foi tomada após a Procuradoria-Geral da República (PGR) enviar ao STF a denúncia sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado. Com isso, o material que serviu de base para a acusação se tornou público.

Na delação, Cid fez diversas revelações e apontou Bolsonaro e o ex-ministro da Defesa, Walter Braga Netto, como mandantes do esquema. Além disso, ele detalhou o envolvimento do ex-presidente em outros dois casos nos quais já foi indiciado: fraude no cartão de vacina e no caso das joias sauditas.

Denúncia contra Bolsonaro e outras 33 pessoas

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, denunciou Bolsonaro e outras 33 pessoas ao STF. O ex-presidente é acusado pelos seguintes crimes:

  • Organização criminosa armada;
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, com considerável prejuízo para a vítima;
  • Deterioração de patrimônio tombado.

Próximos passos no STF

A denúncia foi encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, que é o relator do caso. Bolsonaro terá 15 dias para apresentar sua defesa.

Após esse prazo, Moraes analisará a acusação e os argumentos apresentados pela defesa, sem um período definido para decisão. Se considerar que a denúncia deve avançar, o ministro levará o caso para julgamento na Primeira Turma do STF.

Os magistrados então decidirão se os 34 denunciados se tornarão réus. Caso a denúncia seja aceita, será aberta uma ação penal, iniciando a fase de coleta de provas e depoimentos das partes envolvidas.