A proposta de cobrar taxas aos cidadãos que utilizarem os serviços do SUS ? presente no pacote apresentado pelo presidente do Senado, Renan Calheiro (PMDB-AL) ? não tem chances de prosperar, conforme avalia o deputado federal Jorge Solla (PT-BA).
?Esta proposta é claramente inconstitucional e já há compreensões neste sentido, porque a Constituição de 1988 trata a saúde com um direito fundamental do ser humano, devendo o Estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício, e o acesso deve ser ?universal e igualitário às ações e serviços'. Uma cobrança é descabida?, destaca o petista.
Para além do aspecto legal, Solla salienta que uma proposta neste sentido não tem o apoio da da sociedade, ?que não aceitará a cobrança de um serviço que é público?, nem do governo ? que já teve manifestação pública contrária através do ministro Arthur Chioro (Saúde). ?Sempre que o PMDB apresentar alguma solução para o país, desconfie. Ou atende a interesses privados ou apresenta distorções típicas de quem não dialoga com a sociedade?, disse.
Para Solla, a agenda proposta por Renan, todavia, tem o mérito de colocar o financiamento da saúde na pauta do Congresso. ?Se a proposta do PMDB previa que quem tivesse mais dinheiro, pagaria mais no uso do SUS, eu sugiro que aprovemos a regulamentação da taxação das grandes fortunas. Será a chance de realmente colocar os custos da melhoria do SUS na conta de quem lucra com a produção de riquezas da nossa classe trabalhadora, que é quem majoritariamente usa o SUS?, completou.
Solla destaca que a taxação maior das heranças, a taxação de operações especulativas no Mercado de Valores e Capitais e a volta da CPMF também são alternativas que tiram do colo dos usuários do SUS o pagamento pela melhoria do serviço de saúde.



