Um relatório divulgado nesta semana pela Polícia Federal aponta que fraudes envolvendo descontos associativos não autorizados em benefícios previdenciários contribuíram diretamente para o aumento da fila de requerimentos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O documento revela que o volume de solicitações relacionadas à exclusão desses descontos comprometeu significativamente a capacidade operacional do instituto.

Entre janeiro de 2023 e maio de 2024, o INSS recebeu cerca de 1,9 milhão de pedidos ligados ao bloqueio ou exclusão de mensalidades de associações e sindicatos. Do total, mais de 1,1 milhão eram solicitações para remover os descontos aplicados diretamente nos benefícios previdenciários.
A Polícia Federal estima que essas demandas representaram 16,6% da fila total de requerimentos do INSS no período analisado. Segundo o relatório, a sobrecarga recaiu principalmente sobre a Central Especializada de Atendimento de Benefícios de Manutenção (CEAB-MAN), responsável por processar esses pedidos.
O impacto foi expressivo: aproximadamente 392 mil horas de trabalho foram consumidas com esse tipo de demanda — o equivalente a cerca de 49 mil dias úteis de um servidor público com jornada diária de 8 horas.
A investigação da Polícia Federal também levou à suspensão de diversas associações por decisão judicial, após denúncias de que os descontos eram realizados sem o consentimento dos aposentados.




