O advogado e influenciador baiano João Neto, acusado de agredir a namorada, usou as redes sociais para criticar a suspensão de seu registro profissional pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Em vídeo publicado no Instagram, Neto afirmou não ter recebido “proteção institucional” da entidade, mesmo após cumprir 29 dias de detenção no presídio Baldomero Cavalcante, em Maceió (AL). Ele foi liberado no último dia 13 de maio — mesma data em que a suspensão de sua carteira foi oficializada.

A penalidade, válida por 90 dias — prazo máximo previsto —, foi decidida de forma unânime pela Turma Especializada para Processamento e Julgamento de Suspensão Preventiva da OAB. A medida foi publicada no Diário Eletrônico da instituição no dia 9 de maio, mas entrou em vigor somente no dia da soltura de Neto.
Em um vídeo publicado na última terça-feira (20), o advogado mostra diferentes cômodos de um imóvel luxuoso. Ao final da gravação, Neto confirma que teve a carteira suspensa e atribui a suspensão ao racismo. “Esse negro aqui vai continuar tendo o que quer, vivendo onde quer e comprando o que quiser, porque não será meia dúzia de racistas [que vão impedir]. Porque é a isso que posso atribuir: ao racismo. Porque o negro não pode ter um apartamento desse, uma casa daquela, ter cinco carros. Vocês podem até tentar cassar ou podem até cassar, mas meu trabalho não vai parar”, afirmou.
Já na legenda da gravação ele insinua que querem silenciá-lo. “E aqui reside a pergunta que não quer calar: por que para alguns a OAB oferece proteção institucional, mesmo em casos envolvendo tráfico, corrupção ou venda de sentenças e, para mim, um advogado negro, filho da periferia, não se levanta sequer em defesa da minha dignidade profissional? Dois pesos, duas medidas? O que querem é me silenciar. Mas eu me recuso a calar.”
Segundo o documento da OAB, a suspensão preventiva não está relacionada diretamente ao caso de agressão, mas sim a um processo ético-disciplinar anterior. Esse processo foi instaurado em razão de condutas do advogado em redes sociais e entrevistas, consideradas incompatíveis com a ética profissional.
Ver essa foto no Instagram




