O novo retrato religioso da capital baiana, revelado pelo Censo 2022 do IBGE, mostra uma transformação histórica: pela primeira vez, menos da metade da população de Salvador com 10 anos ou mais se declara católica. O percentual caiu de 57% para 44%, o equivalente a 947 mil pessoas, indicando a perda da hegemonia que o catolicismo manteve por décadas na cidade.

Ao mesmo tempo, Salvador continua sendo a capital com maior número de pessoas sem religião em todo o país, subindo de 12,9% para 18,5%, índice que mantém a cidade na liderança nacional nesse quesito desde 2000.
As religiões de matriz africana seguem com forte presença. A capital baiana aparece em 3º lugar entre as capitais com maior percentual de seguidores de umbanda e candomblé (2,8%), atrás apenas de Porto Alegre (6,4%) e Rio de Janeiro (3,6%). São cerca de 60 mil pessoas que seguem oficialmente essas religiões na capital baiana.
O grupo evangélico, por sua vez, representa 24,3% da população soteropolitana. Antes era 23,3%. Resultado acompanha a tendência nacional de crescimento da religião, que chegou a 26,9% dos brasileiros segundo o mesmo Censo. O crescimento dos evangélicos vem ocorrendo desde 1970, quando representavam apenas 5,2% da população.
O levantamento mostra que Salvador vive uma realidade religiosa marcada pela diversidade e por um número crescente de pessoas que optam por crenças diferentes ou por nenhuma religião. Especialistas apontam que a construção de vínculos comunitários nas igrejas evangélicas, a valorização das tradições de matriz africana e o aumento do agnosticismo ou ateísmo entre jovens são fatores que explicam as mudanças.




