STF encerra processo do golpe e deixa Bolsonaro a um passo da prisão definitiva

Corte conclui que não cabem mais recursos e prepara início da execução das penas impostas ao ex-presidente e a ex-integrantes de seu governo.

Jair Bolsonaro - Foto: Ton Molina/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou, nesta terça-feira (25), o trânsito em julgado do processo que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Com o fim das possibilidades de recurso, o tribunal abriu caminho para que as penas passem a ser executadas em regime de prisão.

A decisão também encerrou a etapa recursal para outros dois réus que, assim como Bolsonaro, não apresentaram os segundos embargos de declaração dentro do prazo estabelecido, que expirou na segunda-feira (24). São eles:

  • Alexandre Ramagem (PL-RJ), deputado federal e ex-diretor da Abin;

  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça.

Com isso, o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, deve decretar a execução das penas a qualquer momento, definindo os locais onde os condenados deverão cumprir a prisão.

Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF a 27 anos e 3 meses de prisão, em regime inicial fechado, por liderar uma organização criminosa voltada para impedir a posse do presidente Lula e subverter o Estado democrático de Direito.

Os demais réus tiveram as seguintes penas:

  • Alexandre Ramagem: 16 anos, 1 mês e 15 dias — regime inicial fechado.

  • Anderson Torres: 24 anos — regime inicial fechado.

Embora as defesas ainda possam tentar apresentar embargos infringentes até o fim da semana, o STF concluiu que o recurso não é cabível, porque só pode ser analisado quando há pelo menos dois votos pela absolvição — o que não ocorreu no julgamento do caso em setembro.

Com essa interpretação, a Corte determinou o trânsito em julgado e manteve a possibilidade de prisão mesmo antes de eventual tentativa de apresentação dos infringentes.

Além de Bolsonaro, Ramagem e Torres, também foram condenados:

  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;

  • Augusto Heleno, ex-chefe do GSI;

  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;

  • Walter Braga Netto, general e ex-ministro;

  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens (delator, cumpre pena domiciliar de 2 anos).

Com exceção de Cid, todos aguardam o encerramento da fase recursal.

Mesmo com o trânsito em julgado, Bolsonaro já estava detido desde sábado (22) na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A prisão preventiva, decretada por Moraes, decorre de outro inquérito, envolvendo:

  • violação da tornozeleira eletrônica durante prisão domiciliar;

  • risco de fuga, reforçado após convocação de uma vigília religiosa diante da casa do ex-presidente pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Segundo Moraes, os episódios poderiam configurar preparação para uma “estratégia de evasão”, à semelhança de casos envolvendo aliados do ex-presidente.
A defesa alega que Bolsonaro teria sofrido “confusão mental e alucinações” causadas por medicamentos e nega tentativa de fuga.

Também na segunda-feira (24), a Primeira Turma do Supremo decidiu, de forma unânime, manter a prisão preventiva de Bolsonaro. Os ministros acompanharam Alexandre de Moraes, que afirmou que o ex-presidente “violou dolosa e conscientemente” o monitoramento eletrônico e destacou o risco de fuga, além da proximidade do trânsito em julgado do processo do golpe.