Bráulio Bessa compartilha poema sobre cachorro após caso do cão Orelha 

Vídeo foi publicado nesta terça-feira (27) após a repercussão da morte do cão Orelha, de 10 anos, agredido na Praia Brava.

Foto: Reprodução / Redes Sociais

O escritor e compositor Bráulio Bessa gravou e publicou um vídeo nesta terça-feira (27) recitando um poema que escreveu há alguns anos, após a repercussão do caso do cão Orelha, de 10 anos, morto depois de ser agredido por quatro adolescentes brancos e de família rica na Praia Brava, em Florianópolis. O caso gerou forte comoção e debates nas redes sociais.

No poema, Bráulio afirma que o cachorro não se importa com dinheiro, posição social ou bens materiais, destacando que o animal busca apenas carinho. Ele também diz que nunca viu um cachorro iniciar guerras motivadas por ambição ou disputa de território.

“Um cachorro não se importa com o valor do seu salário, não liga pra sua roupa, não tira extrato bancário, não sabe o que é dinheiro, viaja pro estrangeiro, nem quer morar em mansão. Ele só quer seu carinho e quem sabe um cantinho dentro do seu coração. Eu nunca vi um cachorro, meu povo. Desmatando uma floresta, maltratando seu planeta e o pouco que lhe resta. Não polui rio nem mar. Também nunca vi marchar pra começar uma guerra. Por dinheiro, ambição, racismo, religião ou um pedaço de terra.”, afirmou.

Em outro trecho do poema, Bráulio Bessa diz que o cachorro ensina, sem estudo formal, a principal lição da vida, que é o amor. Segundo ele, mesmo com conhecimento, o ser humano falha em aprender o que seria simples ao observar o comportamento de um cão.

“Sem diploma, sem estudo, é mestre, é professor da mais bela disciplina, a matéria do amor. E o homem mesmo estudado vive sendo. Reprovado e não aprende a lição. Que é tão simples entender, basta a gente perceber como é que vive um cão. Uma vida, uma vida que é tão breve, por isso, talvez apressa. A urgência de amar, já que amar. Amar é o que interessa. Se doar sem querer troco, ser feliz, mesmo com pouco. E a humanidade sofrendo, mesmo assim não.”, afirmou.

Para o escritor, o cachorro é puro, leal e demonstra sentimentos sem precisar de palavras. No poema, ele critica o homem moderno, que se considera superior aos animais, mas vive em uma sociedade marcada, segundo Bessa, pela vaidade e por sentimentos banais.

“Não diferencia ouro ou um pedaço de lata, não fala, não sabe ler, mas. Diz tudo pra você com o poder de um olhar tão puro e tão. Leal, tem o dom especial de sempre nos perdoar. Eu nunca vou entender. Eu nunca vou entender a tamanha pretensão de um homem que se diz mais sabido que um cão em nossa sociedade infestada de vaidade e sentimentos banais. Para o homem poder crescer, precisaria viver igualzinho aos animais.”, concluiu.