Detran vai exigir mais segurança nas ruas

Com a suspensão da vistoria periódica para o licenciamento anual de veículos, válida desde esta segunda-feira, 5, o estado deixa de arrecadar cerca de R$ 2 milhões por mês. Os automóveis de passeio não precisam mais passar pela inspeção, que custa entre R$ 80, no Detran-BA, e R$ 125, em empresas conveniadas.

Mas o Detran informa que campanhas educativas serão desenvolvidas para alertar os condutores sobre a importância de realizar regularmente a manutenção preventiva nos veículos. O diretor-geral do órgão, Maurício Bacelar, diz que a fiscalização dos carros de passeio será redobrada, sobretudo a avaliação de equipamentos de segurança.

“Os motoristas devem ter em mente que a responsabilidade na manutenção  continua. Aqueles que não cumprirem com o dever correm o risco de ter o carro apreendido porque o nosso maior objetivo é a segurança no trânsito”, assinalou.

Sem reembolso

“Aqueles que fizeram a vistoria antes do decreto de ontem não receberão o dinheiro de volta, pois o decreto anterior ainda estava em vigor. Já o recebimento do documento continuará o mesmo: entregamos em casa, por meio dos Correios”, explica Bacelar.

Contudo, o deputado federal José Carlos Aleluia (DEM), estuda mover uma ação para cobrar do governo o ressarcimento aos que pagaram anteriormente à publicação do decreto. A medida será tomada logo que o Supremo Tribunal Federal (STF) publique o acórdão considerando inconstitucional a portaria do Detran-BA.

A decisão do STF deverá sair nas próximas semanas. A Advocacia Geral da União (AGU) e a Procuradoria Geral da República (PGR) já deram pareceres favoráveis à Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 360, ação movida pelo deputado baiano.

A recente decisão do governador, de suspender a vistoria, foi motivada por questionamentos do Ministério Público da Bahia e da Associação Baiana de Defesa e Proteção aos Condutores de Veículos (ABCV). A medida ainda requer a elaboração de uma matéria, pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), para fundamentar a decisão final sobre a questão.

Argumentação

De acordo com o promotor estadual Adriano Assis, a investigação do MP foi motivada por questionamentos de condutores sobre a necessidade de vistoria para veículos com apenas um ano de uso, decisão que seria validada a partir de janeiro do ano que vem.

“Qual a necessidade de submeter um automóvel que ainda está na garantia à vistoria?”, indaga Adriano Assis. Ele afirma que toda portaria requer um estudo prévio no que diz respeito a questões técnicas e jurídicas. Porém o Detran revelou que não havia feito o estudo. (A Tarde)