
Jaques Wagner (PT) afirmou, em entrevista ao radialista Leo Valente nesta sexta-feira (24), que aguarda a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança para que o governo federal possa criar o Ministério da Segurança Pública. O senador defendeu o uso de tecnologia e inteligência no combate ao crime organizado.
Ao falar sobre os investimentos realizados na área, Jaques Wagner disse que a segurança pública na Bahia passou por mudanças desde o início do seu governo. Segundo ele, naquele período havia falta de combustível para as viaturas, coletes balísticos, armamentos e munições para treinamento. O senador afirmou que, atualmente, as viaturas são novas, alugadas e equipadas com ar-condicionado, estrutura que, segundo ele, oferece melhores condições de trabalho aos profissionais da segurança.
“Pode perguntar a qualquer profissional de segurança como era e como é hoje. Antes, para o carro andar, tinha que empurrar porque não tinha dinheiro para gasolina. Tinha que esperar o colega voltar da rua para trocar de colete porque não havia colete para todo mundo. A arma usada quando cheguei era o calibre .38 — hoje é .40. Não tinha munição para treinamento. Hoje os carros são todos alugados, novos e com ar-condicionado, para dar conforto a quem arrisca a vida para nos defender.”, afirmou.
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Ao comentar sobre o avanço do crime organizado, Jaques Wagner afirmou que o problema vai além da realidade da Bahia e está presente em diversos estados brasileiros e em outros países.
“Hoje o crime organizado é um desafio para o mundo, não é só para a Bahia. É uma multinacional do mal. É uma doença alimentada pelo tráfico de armas, pelo tráfico de drogas, pela corrupção e por aqueles que cultuam o dinheiro acima de tudo.”, disse ao radialista Leo Valente, do Blog do Valente e da Rádio Andaia.
Na entrevista, Jaques Wagner defendeu que o enfrentamento ao crime organizado deve ser feito atingindo a estrutura financeira com investimentos em tecnologia e inteligência, além da integração entre os governos estadual e federal. Segundo ele, a PEC da Segurança permitirá ampliar essa articulação por meio da criação do ministério.
“Já são mais de 1.500 pessoas presas por meio do sistema de videomonitoramento. Mas não se combate o crime organizado — que hoje é cibernético e altamente tecnológico — só com o policial na ponta da rua. Precisamos usar tecnologia e inteligência, como a operação realizada em São Paulo que mostrou fintechs e bancos virtuais sendo usados para lavar dinheiro do tráfico. É aí que se atinge o crime: no bolso. Precisamos nos articular. Estamos aguardando a aprovação da PEC da Segurança Pública para que o presidente Lula possa estruturar ainda mais essa área, porque precisamos nos relacionar com todos os 27 governadores, independentemente de partido.”, defendeu.
O senador também afirmou que o crime organizado busca se instalar em locais onde há maior circulação de recursos. Segundo Wagner, a Bahia ocupa atualmente a segunda posição entre os estados que mais recebem investimentos, fator que, na avaliação dele, também desperta o interesse das organizações criminosas. Ele acrescentou que os principais centros de comando das facções continuam concentrados em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas que esses grupos ampliaram sua atuação para outras regiões do país.
“O tráfico vai atrás do dinheiro. A Bahia hoje é o segundo estado em investimentos. Onde tem dinheiro girando, o crime tenta se instalar. O centro de comando das facções continua em São Paulo e no Rio, onde está a maior concentração de renda, mas eles expandiram.”
“O problema é muito mais embaixo. O crime organizado é uma multinacional que atua nos Estados Unidos, na Europa e no Japão. Por isso, exige um sistema integrado de segurança pública. Nós já prendemos e apreendemos dezenas de líderes do crime organizado este ano.”, continuou o senador.


