
Quatro desembargadores do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), suspeitos de integrar um esquema de venda de sentenças e liberação irregular de alvarás, receberam juntos R$ 627 mil líquidos em salários no último trimestre, mesmo estando afastados das funções. Os magistrados foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em julho do ano passado.
Os investigados são Antonio Pacheco Guerreiro Júnior, Luiz Gonzaga Almeida Filho, Marcelino Everton Chaves e Nelma Celeste Sousa Silva Sarney Costa. Eles estão afastados do exercício do cargo desde outubro de 2024, por decisão judicial, no âmbito da Operação 18 Minutos.
A investigação recebeu esse nome porque, em um dos casos apurados, teriam se passado apenas 18 minutos entre o despacho de um magistrado e o saque do valor liberado por alvará. A PGR apura um suposto desvio de aproximadamente R$ 50 milhões, relacionado a processos com indícios de fraude.
O episódio ocorre em um contexto social crítico. Segundo dados do Censo 2022 do IBGE, o Maranhão lidera os índices de extrema pobreza no país, com 8,4% da população, cerca de 560 mil pessoas, vivendo com menos de R$ 200 por mês. Outros 57,9% sobrevivem com renda mensal de até R$ 637.




